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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Militante do movimento de rádios comunitárias lamenta ausência do Ministério das Comunicações no Congresso da Abraço


O estudante de jornalismo e militante de Radcom Alan Camargo com o ex-presidente Lula

Há alguns dias escrevi após a entrevista do Sr. Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, preocupado com a citação de que a posição do Ministério era de manter a política repressiva e o combate à publicidade e aumento de potência nas Rádios Comunitárias. Me indignei por que esperava que o Ministro anunciasse o financiamento público e disposição de resolver os problemas criados pelo próprio ministério, com assessoria histórica da ABERT e que dizimou organizações comunitárias, gerou milhares de criminalizados e impediu que até agora o sistema se consolidasse

Hoje as notícias do planalto não são as melhores. Além do ministério não ter enviado representação ao maior congresso da radiodifusão comunitária, nos dias 20 e 21, (o Secretário Executivo do Ministério sim, foi reunir com coordenação nacional da ABRAÇO, mas isso só ocorreu porque delegados ao Congresso da ABRAÇO ocuparam o saguão do MINICOM em Brasília e só se retiraram de lá ao garantir esta ida do Secretário Executivo) hoje o Sr Ministro recebe a ABERT, para “apresentarem a estrutura da radiodifusão no país e cobrar, entre outras coisas, maior controle sobre as rádios comunitárias.”

A ABERT se transformou em escola para formação de Ministros?

Os ditos defensores da liberdade de expressão, imprensa e até de mercado querem “controlar as rádios comunitárias”? é isso?

As perguntas só aumentam somadas as que fiz em texto anterior. E sinceramente não encontrei respostas.

A firmeza para se garantir de fato uma democratização da comunicação terá que compor nossos debates reais. O combate a radio comunitária é exatamente por conta de seu potencial na comunicação pública, por representar um modelo, uma tese, uma concepção.

É a gestão pública dos meios que está em jogo e é por isso que a ABERT combate tanto. Na verdade está aí a situação que mais organiza a ação da ABERT: combater rádio comunitária. Sempre fizeram, financiam as viaturas da ANATEL, pagam diárias a seus fiscais, são a consultoria dos municípios impedindo o financiamento das rádios, degravam a programação das comunitárias e no sul o Presidente da ABERT no Rio Grande do Sul coloca transmissor para impedir o sinal das comunitárias na sua cidade. A ABERT tem mais fiscais que o MINICOM. Bancas e Bancas de advogados nas suas estruturas, encarnados na criminalização das comunidades. Pra não falar de sua enorme bancada no congresso nacional.

A ABERT cumpre o papel mais fundamental na articulação para manutenção dos interesses do monopólio. Que agora também tem que competir com o capital externo, que eles tanto defenderam quando privatizaram tudo, que vai engolir a todos e terão que disputar uma sociedade que quer controle social sobre os meios.

Tomara que o Ministro Paulo Bernardo e o Sr Secretário Executivo tenham tomado vacina, pois temo por sua contaminação por ABERTiti.

Alan Camargo