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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Bastidores da guerra por rádios comunitárias e o poder que elas representam

Uma simples estação de rádio comunitária é disputada por grupos políticos rivais, com cenas grotescas de agressão moral, ações judiciais e todo tipo de baixaria. Isso acontece na maioria das pequenas cidades onde uma rádio comunitária transmite, com disputas pelo comando da associação responsável pela outorga. É a guerra pelo poder da comunicação nas ondas do rádio, controlado por legislação federal extremamente restritiva, cujo canal mais popular de acesso, são justamente as comunitárias.

Nos dias atuais, controlar uma associação comunitária, ter boas relações políticas, e algum capital, são os pré-requisitos mínimos para obter uma concessão do tipo. Dessa forma, as chamadas “falsas comunitárias” são criadas para servir a interesses políticos ou de pequenos empresários de comunicação, também com a chancela de seitas religiosas em alguns casos, para fins de fazer proselitismo religioso. São raras as rádios comunitárias que dão verdadeiramente voz às comunidades nas quais estão inseridas.

O mecanismo de distribuição de outorgas é mais ou menos parecido com as das rádios comerciais, dominadas por políticos. A população servida por essas emissoras não tem conhecimento da legislação que regula o setor, acostumada ao controle dos meios de comunicação pelos poderosos. Não exige seu direito de intervir na rádio, não sabe que uma emissora comunitária pertence à comunidade. Infelizmente, as associações que dizem defender esse tipo de rádio não fazem campanhas de esclarecimento.

Até hoje não se sabe quem é a presidente desta Rádio, ou quem compõe o seu Conselho. A Rádio mais parece propriedade da Prefeita do que qualquer outra coisa”, escreveu João Adriano Silva em seu blog, sobre a Rádio Comunitária Alagoinha FM, de Alagoinha, Paraíba. “É preciso que os cidadãos comecem a questionar essa rádio que não passa de um instrumento político, manipulador, sem interesse em cultura e sem vocação para os objetivos da existência de uma rádio comunitária”, finaliza.