O objetivo é capacitar e formar professores, funcionários e gestores públicos para discutir novas políticas públicas sobre esses temas. A pós-graduação, que terá duração de 18 meses, é uma iniciativa do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero da UFPB, o Nipam. O repórter Rodrigo Andrade conversou com Glória Rabay, coordenadora do curso.
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fonte:http://espaco-experimental.blogspot.com.br/2014/09/ufpb-oferece-pos-graduacao-distancia-em.html?spref=fb
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Radiodifusão Comunitária celebra Dia Nacional do Rádio lutando por uma nova Lei
Em 25 de setembro, celebra-se o Dia Nacional
do Rádio. A data foi escolhida para homenagear o nascimento de Roquete Pinto,
considerado o “Pai do Rádio Brasileiro”. A primeira transmissão de radiofônica
no Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, na comemoração do centenário
da independência brasileira. Nessa ocasião, uma estação de rádio foi instalada
no Corcovado, no Rio de Janeiro, para a veiculação de músicas e do discurso do
então presidente Epitácio Pessoa.
Durante
mais de nove décadas, o Rádio avançou tecnologicamente e atingiu cada vez mais
pessoas no mundo, com aperfeiçoamento de transmissão, e reinvenção, como forma
de adaptação aos dias atuais. Ao longo do tempo, o veículo ganhou aliados para
expandir seu alcance, como o telefone celular (87% dos modelos vendidos têm
receptores de rádio integrados nos aparelhos), tablets,
computadores, entre outros. Pela internet, por exemplo, é possível ouvir uma
transmissão de rádio de qualquer parte do planeta. Mas transmissão convencional
e com tanta tradição é o que ainda fascina a maioria dos ouvintes. Dados do
PNAD/IBGE mostram que o Rádio continua a ter uma presença marcante na vida do
brasileiro: hoje, em cada dez domicílios, nove têm um aparelho de rádio.
A Abraço (Associação Brasileira de
Radiodifusão Comunitária) entende que o rádio é uma ferramenta popular que
muito contribui com o desenvolvimento social do País. As Rádios Comunitárias
tem como essência, o poder de interlocução do povo com sua cultura, seus
direitos e com os poderes do seu Estado. Neste sentido a Abraço segue
incansavelmente lutando para que uma nova Lei de Rádios Comunitárias seja
implementada.
Desde a década de 90 que o movimento
das rádios comunitárias, capitaneadas pela Associação Brasileira de
Radiodifusão Comunitária – Abraço, vem lutando para transformar a LEI MÍNIMA
9612/98, que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária no Brasil em uma
lei que seja fomentadora da democratização da comunicação no país a partir do
fortalecimento como órgão local de comunicação radiofônica, para promover o
desenvolvimento sustentável local. Infelizmente, nesses 16 anos de existência da
Lei, não foi possível mudar uma vírgula sequer do projeto aprovado pelo
Congresso Nacional, mesmo havendo dezenas de Projetos de Leis em tramitação na
casa.
A mobilização por uma nova Lei
A Campanha por uma Nova Lei de Rádios
Comunitárias no Brasil está ganhando cada vez mais força. A coleta de
assinaturas promovida pela Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão
Comunitária) está “encorpando” o ato que forçará o Parlamento a realizar
as mudanças necessárias para a radiodifusão comunitária. Desde o lançamento
da campanha, a sede da Abraço Nacional em Brasília, vem recebendo centenas de
assinaturas vindas de várias cidades do Brasil. Os estados de Minas Gerais, São
Paulo, Rio Janeiro e Paraná, foram os que mais coletaram assinaturas para o
envio até o momento.
A Abraço quer mobilizar as mais de
5.000 rádios comunitárias autorizadas no Brasil. A campanha é muito simples:
Cada emissora fica com a responsabilidade de coletar um mínimo de trezentas,
assinaturas para se chegar ao total de um milhão e trezentas mil assinaturas
exigidas pelo Congresso Nacional para acatar uma proposta de iniciativa
popular.
As propostas constantes do PLIP são a
sistematização de nossas reivindicações desde antes da promulgação da Lei
9612/98 e contempla a totalidade de das demandas legais para as emissoras.
A Abraço conclama às direções das Rádios Comunitárias de todo o
país a promoverem esta coleta de assinaturas.
Abraço Nacional
domingo, 28 de setembro de 2014
Alo Comunidade 163 LUCIANO OLIVEIRA LUIZ DUARTE
Nesta edição a ministra Tereza Campelo (MDS) fala sobre a saída do Brasil do Mapa da Fome Mundial. Entrevistamos Luciano Oliveira, líder da Nação Maracahyba, que completa nove anos de maracatu em João Pessoa. E ainda a música regional do pernambucano Luiz Duarte. Produção e apresentação de Dalmo Oliveira. Locução de Beto Palhano. Sonoplastia de Maurício José Mesquita.
MP pede extinção de rádio comunitária em Saboeiro
O Ministério Público do Estado do Ceará
ajuizou uma ação civil pública, na última quarta-feira, 17, pedindo a extinção
da Fundação José Cândido Silva, em Saboeiro, 462,8 km de Fortaleza. Segundo o
órgão, a rádio da instituição, “Canta Galo FM 109.4”, não possui aprovação do
seu estatuto pelo MPCE e não presta contas com a instituição, o que desrespeita
requisitos legais previstos no Código Civil.
O MP alega ainda que, em procedimento
administrativo instaurado em 2011, sobre a prestação de contas do período de
2006 a 2010, a fundação informou que não havia recebido verba do ente público
ou particular. No entanto, provas colhidas atestam que a entidade recebeu
determinados valores da Prefeitura de Saboeiro, em 2009.
Além da ausência da prestação de
contas, o Ministério apontou que a Fundação estaria utilizando a rádio “Canta
Galo FM” para a prática de atos político-partidários, o que caracteriza desvio
de finalidade.
O MPCE pede que a Justiça determine a
imediata suspensão da atividades da Fundação José Cândido Silva e a suspensão
do serviço de radiodifusão. Em caso de descumprimento, foi sugeria a multa
diária de R$ 1 mil.
O prefeito de Saboeiro, Marcondes
Ferraz (PSDB), disse que a prefeitura também ingressou ação para o
fechamento da rádio. “Só serve para falar mal do prefeito e do governador, não
é comunitária”, argumenta.
Abraço
Nacional
sábado, 27 de setembro de 2014
Programa de rádio comunitária repercute trabalho de Ponto de Cultura na Paraíba
Estudantes visitam estúdio da Rádio Tabajara |
O programa “Alô comunidade”, produzido pela Rádio Comunitária
Zumbi dos Palmares e transmitido pela Rádio Tabajara da Paraíba AM, conta com a
parceria do Núcleo de Comunicação do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, que
repercute as atividades sociais e culturais da cidade de Itabaiana, mostrando
suas mais diversas expressões artísticas. Semanalmente, o programa mostra
entrevistas e notícias das atividades do Ponto de Cultura, considerado um dos
mais atuantes da Paraíba.
O Coordenador Geral do Ponto, jornalista Fábio Mozart, afirmou que está
sendo programado para 2015 um projeto de oficinas de produção de programa,
entrevistas e reportagens para ajudar os comunicadores a se prepararem cada vez
melhor para produzirem bons programas, boas entrevistas e reportagens. “Contamos
com os produtores do programa “Alô comunidade” como orientadores dessas
oficinas, como os radialistas Dalmo Oliveira, Marcos Veloso e Beto Palhano, que
já fazem um trabalho de qualificação de pessoal que trabalha em rádios
comunitárias na Paraíba”, disse ele. Recentemente, o programa recebeu um grupo de estudantes da Escola Estadual João Fagundes de Oliveira, os quais participaram do 1º Festival de Vídeo Estudantil promovido pelo Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Os estudantes foram conhecer o estúdio da Rádio Tabajara e se familiarizar com as técnicas de organização e produção de um programa de rádio.
Dalmo Oliveira, produtor do programa, afirmou que é importante passar um pouco da experiência de trabalho na radiodifusão para os jovens que desejam assumir seu papel de comunicador em rádios comunitárias no interior da Paraíba. “Uma das missões deste programa “Alô comunidade” é justamente esse, de interagir com as comunidades e suas redes sociais, para dar voz aos segmentos mais necessitados de repercutir seus anseios e seus projetos sociais”, disse ele.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Governo do Rio sanciona lei de apoio às rádios e TVs comunitárias
O Governo do Rio de Janeiro
sancionou a lei 6892/14, projeto apresentado há 10 anos atrás, em 2004, pelo
deputado Estadual Carlos Minc na ALERJ. Na época, foram realizadas as primeiras
audiências públicas de rádios comunitárias, culminando agora com a sansão da
primeira lei do estado em apoio às rádios e Tvs Comunitárias, certamente uma
das únicas no país.
A Lei 6892/14 garante o
mínimo de 1% do total das verbas oficiais para a veiculação em rádios e tevês
comunitárias de campanhas institucionais, como de prevenção à dengue,
reciclagem de lixo, prevenção de incêndios.
“Demos
uma passo para fortalecer as rádios comunitárias e diversificar expressões
culturais. O cidadão não pode ser apenas receptor de códigos e mensagens do
poder, mas transmissor de seus problemas, propostas. O sufoco financeiro tem
levado ao fechamento de inúmeras rádios, apartadas de qualquer apoio
institucional”, afirmou Minc.
Uma das
lideranças do movimento das rádios comunitárias, o radialista Tião Santos se
emocionou ao saber da aprovação da lei: “Confesso que fiquei emocionado ao
receber essa notícia. Emocionado porque me veio à mente as muitas lutas que
tivemos pelas rádios e tevês comunitárias do nosso estado. Essa lei nos
recoloca na dianteira das lutas pela comunicação libertária em nosso país”.
A
aprovação da lei é uma antiga luta do mandato de Minc, que tem entre suas
bandeiras estimular a democratização das comunicações. “A legislação federal já
diz que a destinação de verbas publicitárias deve ser proporcional à audiência
dos meios de comunicação. Mas as rádios e tevês comunitárias estavam excluídas
desse processo. No entanto, algumas têm grande audiência, como ficou comprovado,
recentemente, com o uso pelo Exército da Rádio Maré, que fala para 160 mil
moradores das comunidades do Complexo da Maré”, completa.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Programa de rádio comunitária feito por haitianos divulga a cultura caribenha no Paraná
'Haiti Universal' é transmitido por uma rádio comunitária em
Cascavel. Ideia surgiu de uma participação deles em um outro programa da
emissora.
A rotina de três haitianos que moram em Cascavel,
no oeste do Paraná, mudou depois que eles passaram a comandar um programa em
uma emissora de rádio comunitária, a Cascavel FM. Além de entretenimento para
os companheiros que vivem na cidade, familiares que moram no Haiti também podem
acompanhar e ter notícias deles. O programa vai ao ar todo domingo, das 20h às
21h, e também é exibido pela internet.
“Eles se queixam que é muito caro as ligações para
fazer contato com as famílias lá no Haiti. Então, é uma oportunidade através da
internet e do site da rádio. E também para deixar o pessoal mais tranquilo lá
do outro lado que está ouvindo e ter notícias dos familiares que estão aqui no
Brasil”, afirma o diretor da rádio, Diogo Tamoio.
A ideia surgiu depois de uma participação do trio em outro programa da mesma emissora. O programador gostou da participação e os chamou para fazer parte da equipe. “A rádio sempre está procurando programas alternativos para interagir com a comunidade e a gente teve a ideia de colocar eles no ar. Existe um número muito grande de haitianos dentro da cidade, mas a gente pouco conhece os costumes e os estilos musicais deles”, conta o diretor.
De acordo com a Polícia Federal de Cascavel, atualmente, 15.802 mil haitianos estão registrados e cerca de 1.300 moram na cidade. A PF informou, ainda, que são feitos pelo menos 20 pedidos de refúgio por mês na delegacia.
A ideia surgiu depois de uma participação do trio em outro programa da mesma emissora. O programador gostou da participação e os chamou para fazer parte da equipe. “A rádio sempre está procurando programas alternativos para interagir com a comunidade e a gente teve a ideia de colocar eles no ar. Existe um número muito grande de haitianos dentro da cidade, mas a gente pouco conhece os costumes e os estilos musicais deles”, conta o diretor.
De acordo com a Polícia Federal de Cascavel, atualmente, 15.802 mil haitianos estão registrados e cerca de 1.300 moram na cidade. A PF informou, ainda, que são feitos pelo menos 20 pedidos de refúgio por mês na delegacia.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Coronelismo, antena e voto: a apropriação política das emissoras de rádio e TV
Como a prática, recorrente no Brasil, de políticos eleitos se
tornarem proprietários de empresas concessionárias de rádio e televisão ou de
radiodifusores serem eleitos para cargos do poder público e passarem a legislar
em causa própria é prejudicial à democracia
Por Carlos Gustavo Yoda*
“Coronel” é patente militar em quase todos os exércitos do mundo.
O mais alto posto antes de “general” dentro das Forças Armadas do Brasil,
figura responsável pelo regimento de uma ou mais tropas ou companhias. No
Nordeste brasileiro, “coronel” também é sinônimo de grandes proprietários de
terra, “os coroné”, quem manda, aquele que dita as regras. Daí o termo
“coronelismo”, cunhado, em 1948, no clássico da ciência política moderna Coronelismo, Enxada e Voto, do
jurista Victor Nunes Leal, para dar nome ao sistema político que sustentou a
República Velha (1889-1930). Entre as interpretações de documentos, legislações
e dados estatísticos, o livro explica como o mandonismo local se misturava aos
altos escalões das estruturas de poder.
Mais de
60 anos se passaram desde a publicação de Victor Nunes Leal. E o coronelismo de
outrora ganhou novos contornos, entre eles, o chamado coronelismo eletrônico.
Em período eleitoral, nada mais importante do que revisitar essa história e
analisar como o controle de emissoras de rádio e televisão por políticos segue
influenciando os rumos da política brasileira.
Para provocar essa reflexão, a partir desta semana, oIntervozes,
com o apoio da Fundação Friedrich Ebert, publica uma série de reportagens sobre
o fenômeno da concentração dos meios sob o controle de grupos políticos. Daqui
até o final da campanha eleitoral vamos mostrar por que e como esta prática é
prejudicial à democracia, o que diz a legislação e a quem cabe fiscalizar e
punir os abusos, quem são os principais partidos e grupos econômicos que violam
a Constituição e se aproveitam desta ilegalidade. Por fim, buscaremos conhecer
como funcionam as regras em outros países que desenvolveram mecanismos eficazes
de combate ao coronelismo eletrônico.
A publicação das reportagens é uma contribuição do Intervozes à campanha Fora Coronéis da Mídia, lançada
em julho deste ano pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
(ENECOS), com o objetivo de mobilizar os mais diversos movimentos sociais e
sensibilizar a sociedade e as esferas de poder sobre o tema.
Origens do problema
De acordo
com Victor Nunes Leal, durante a Velha República, a milícia imperial estava a
serviço dos grandes proprietários de terras e escravos. Esta articulação entre
quem comandava as instituições públicas e os grandes fazendeiros passou a
influenciar os processos eleitorais. Sucessivos governos locais, estaduais e
federais se elegeram com o chamado “voto de cabresto”, a partir da relação
estabelecida em locais pobres. O coronelismo se sustentava, assim, em um
sistema político de troca de favores recíprocos, onde o voto é moeda de troca
por benefícios pessoais, em detrimento do interesse público e do bem comum,
também interpretados como clientelismo e fisiologismo.
Mesmo em
meio a uma lavoura economicamente decadente, os coronéis continuaram a manter
uma moeda de valor inestimável: a influência absoluta sobre a vontade e os
destinos de empregados, meeiros e todos aqueles envolvidos em torno do grande
latifúndio. O valor dessa moeda aumentou com a democratização formal do País,
sobretudo no período republicano quando se universaliza o direito ao voto: o
“coronel” passa a ser então o elo de ligação entre o poder estadual e os
eleitores. Aos governos cabia, como contrapartida, o reconhecimento da
autoridade local e a alimentação desse poder, através da cessão de alguns
recursos: empréstimos, empregos e, sobretudo, os favores das forças policiais.
A liderança do coronel exige o sistema representativo, e essa é a preocupação
central de Victor Nunes ao longo de seu livro. Ele destaca ainda que o sistema
coronelista depende sobretudo de um ambiente baseado na estrutura arcaica de
concentração de propriedade do latifúndio.
Com
indicadores censitários da década de 1940, Victor Nunes aponta que os grandes
latifúndios ocupavam mais de 75% em área das terras disponíveis no País e que
70% da população ativa pertenciam à categoria dos não-proprietários, cifra que
chegava a 90%, somados os pequenos proprietários, cuja situação era de total
precariedade, na maior parte dos lugares.
Apesar do
coronelismo ser um episódio histórico, consequências e processos culturais do
sistema coronelista ainda se fazem sentir na arcaica distribuição fundiária, de
renda e de poder no Brasil.
Coronelismo eletrônico
“Mais
sofisticado, sutil e ainda mais perverso”, na opinião do cientista político e
professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Francisco Fonseca é o “moderno”
fenômeno do coronelismo eletrônico, ou seja, o uso de canais de comunicação de
radiodifusão para atender a interesses políticos – prática que perdura nos
tempos digitais. Suas origens estão no autoritarismo coronelista de décadas
passadas e a prática política traz inúmeras semelhanças com seus modelos de
concentração de propriedade. Só que, em vez do poder sobre as terras, o
controle agora também alcança as ondas do rádio e da TV.
No início da década de 1980, um repórter da Rádio Rural, de Concórdia (SC),
abria espaço para o depoimento do ex-senador Atílio Fontana: “Senador, o
microfone é todo seu”. O senador, ciente de suas propriedades, disse a quem
quisesse ouvir: “Não só o microfone, meu rapaz, mas a rádio toda”. Este
episódio foi narrado em matéria do Jornal
do Brasil que, naquela época,
já denunciava o uso eleitoreiro de 104 estações de rádio e televisão,
espalhadas por 16 estados, de propriedade de deputados, governadores, senadores
ou ministros.
O cenário da época foi analisado pela professora de comunicação da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Suzy dos Santos, no artigo “o Coronelismo
Eletrônico como herança do coronelismo nas comunicações brasileiras”. Nos
anos 80, o processo de abertura política do regime militar dava seus primeiros
passos. Depois de 15 anos de bipartidarismo, em novembro de 1979, a Reforma
Partidária foi aprovada. Os novos partidos começavam a ser articulados.
“Também naquele ano, foram liberadas as eleições diretas para
governos estaduais. A concentração partidária, através dos governadores,
senadores e prefeitos ‘biônicos’ e da maioria do Congresso com representantes
da Arena, deu o tom da distribuição das outorgas de radiodifusão para as elites
políticas. Na reportagem do Jornal
do Brasil, 81,73% das estações de rádio e televisão mencionadas eram
controladas por afiliados do PDS”, partido de remanescentes da Arena, explica
Suzy.
Desde a denúncia no Jornal
do Brasil, a expressão “coronelismo eletrônico” tem sido usada com
frequência na mídia e em artigos acadêmicos para se referir ao cenário
brasileiro no qual políticos eleitos se tornam proprietários de empresas
concessionárias de rádio e televisão – ou, então, tão comum quanto,
radiodifusores são eleitos para cargos do poder público e passam, no caso dos
eleitos para o Congresso Nacional, a participar das comissões legislativas que
outorgam os serviços e regulam os meios de comunicação no país, legislando em
causa própria. Não foram poucos os casos na história. Todos passaram impunes.
Neste
cenário, alerta Francisco Fonseca, da FGV, as instituições políticas acabam
cooptadas pelo poder econômico dos grupos de comunicação. “O coronelismo
midiático provoca o fim da diversidade. É antidemocrático. Estimula as
estruturas de oligopólios e as pautas [jornalísticas] em nome de uma elite. É
uma censura de mercado, econômica”, afirma.
O impacto desta prática nos processos eleitorais e na configuração
das representações das instituições também é significativo. O rádio e,
principalmente, a televisão continuam sendo os meios de comunicação de massa de
maior alcance na população. A última PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de
Domicílios) mostrou que 97,2% das residências possuem pelo menos um aparelho de
televisão e 75,7%, um de rádio.
A esses meios de comunicação cabe o papel de dar expressão às
demandas e à diversidade da sociedade em todos os seus aspectos, mas também de
fiscalizar os poderes públicos e a iniciativa privada. É também por meio de uma
mídia livre que se estabelece a ligação e o controle entre representantes e
representados, como princípio fundamental para o ambiente democrático. Por
isso, a Constituição Federal garante o direito de acesso à informação aos
cidadãos e, em conjunto, a liberdade de imprensa.
Num quadro em que um meio de comunicação de massa, que deveria
cumprir uma função pública, é controlado por um político, que pode influenciar
sua linha editorial, a autonomia e independência deste veículo para exercer o
controle sobre o poder público estão totalmente comprometidas. Ao mesmo tempo,
o proprietário do veículo passa a ter o poder de filtrar e restringir
informações e conteúdos a serem divulgados, na medida de seus interesses e de
seus correligionários, numa prática de autopromoção.
Fica caracterizado, assim, um claro desequilíbrio nos princípios
de igualdade dos processos eleitorais, numa situação que pode configurar até
mesmo a violação de eleições livres, com candidatos e partidos em condições
totalmente desiguais de disputa.
Compreendendo o risco para a democracia brasileira do controle de
serviços públicos, como a radiodifusão, por políticos, a Constituição Federal,
em seu artigo 54, proíbe que deputados e senadores sejam proprietários ou
diretores de empresas concessionárias de serviço público ou exerçam cargo ou
emprego remunerado nesses espaços privados. A medida vem sendo respeitada para
diversos serviços, mas segue ignorada no caso do rádio e da televisão (como
veremos nas demais reportagens desta série).
No
próximo artigo, você vai saber o que pensam o Ministério das Comunicações, o
Ministério Público e a Justiça Eleitoral sobre esta prática. E saber como a
sociedade civil e partidos políticos contrários a este uso das concessões de rádio
e TV estão lutando contra o problema.
* Carlos Gustavo Yoda é
jornalista e integrante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Rádio comunitária divulga tabela de preços de apoios culturais
![]() |
Adair Bonini, um dos locutores da rádio Pinheira |
A
Rádio Comunitária Pinheira, 98.3 FM, começou a transmitir em 4 de janeiro de 2014, a partir de seu estúdio,
na praia da Pinheira, sul do município de Palhoça, em Santa Catarina. O sinal
da rádio sinal chega em toda a Baixada do Maciambu e compreende as praias da Guarda
do Embaú, Ponta do Papagaio, Sonho e Passagem do Maciambu, entre outras
localidades. Transmite 24 horas por dia, com músicas e notícias, tanto na FM
quanto na página da rádio.Os ouvintes podem entrar em contato pelo telefone 48
3283-2639 e também pelo Facebook da rádio . A emissora não tem fins
lucrativos e conta com “apoios culturais”, mantidos pelo comércio local,
conforme tabela abaixo:
4 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
80 chamadas mês + bonificação de 16 chamadas
Valor mensal = R$ 150
6 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
120 chamadas mês + bonificação de 24 chamadas
Valor mensal = R$ 200
8 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
160 chamadas mês + bonificação de 32 chamadas
Valor mensal = R$ 250
12 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
240 chamadas mês + bonificação de 48 chamadas
Valor mensal = R$ 300
8 chamadas de hora certa com divulgação da empresa que informa a hora certa - Valor mensal R$ 200
Promoções especiais de Dia das Mães (maio) e Dia dos Namorados (junho). Dobra o número de chamadas pelo valor correspondente a cada um.
Propostas válidas para contratos de dois meses.
4 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
80 chamadas mês + bonificação de 16 chamadas
Valor mensal = R$ 150
6 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
120 chamadas mês + bonificação de 24 chamadas
Valor mensal = R$ 200
8 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
160 chamadas mês + bonificação de 32 chamadas
Valor mensal = R$ 250
12 chamadas diárias de segunda a sexta-feira + bonificação
240 chamadas mês + bonificação de 48 chamadas
Valor mensal = R$ 300
8 chamadas de hora certa com divulgação da empresa que informa a hora certa - Valor mensal R$ 200
Promoções especiais de Dia das Mães (maio) e Dia dos Namorados (junho). Dobra o número de chamadas pelo valor correspondente a cada um.
Propostas válidas para contratos de dois meses.
domingo, 21 de setembro de 2014
Alo Comunidade 162 RICARDO ALVES
Nesta edição Fábio Mozart e Marcos Veloso batem um papo com o radialista comunitário Ricardo Alves, da cidade de Mari (PB). Produção e apresentação de Mozart. Locução de Marcos Veloso. Sonoplastia de Maurício José.
sábado, 20 de setembro de 2014
Comunicadores de Mari comemoram aniversário da cidade com entrevista na Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares
![]() |
Ricardo Alves |
Os radialistas comunitários Manoel
Batista e Ricardo Alves, da Rádio Comunitária Araçá, de Mari/PB, estarão no
programa “Alô comunidade” neste sábado, 20, a partir das 14 horas. A cidade
festeja aniversário de emancipação política, cujas celebrações começaram ontem,
19, com eventos organizados pela Prefeitura local.
Os comunicadores comunitários irão
falar sobre sua cidade, além de abordar temas ligados à cultura e radiodifusão
comunitária.
O programa, apresentado por Fábio
Mozart e Marcos Veloso, tem início às 14 horas, transmitido pela Rádio Tabajara
da Paraíba AM (1.110 KHZ), com reprise por diversas rádios comunitárias e sites
da internet. O programa tem difusão em tempo real pela Rádio Web Comunitária Porto
do Capim (www.radioportodocapim.com.br)
“Alô comunidade” é produzido pela
Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, parceria com o Coletivo de Jornalistas
Novos Rumos, Sociedade Cultural Posse Nova República e Ponto de Cultura Cantiga
de Ninar, de Itabaiana.
Também para ouvir em tempo real:
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Alo Comunidade 161 ARIMATEIA FRANCA JACINTO MORENO
Nesta edição entrevistamos o sindicalista Arimateia França e o videasta Jacinto Moreno. Produção de Dalmo Oliveira. Locução de Beto Palhano e Dalmo Oliveira. Sonoplastia de Mauricio José.
Jessier Quirino e as rádios comunitárias
Conheço Jessier Quirino desde 2004, quando fizemos parte da
comissão que organizou as comemorações pelo centenário do poeta Zé da Luz, em
Itabaiana. Naquela ocasião, produzimos uma revista, fizemos um espetáculo
musical e inauguramos o busto do poeta matuto de Itabaiana. No espetáculo,
apresentaram-se os artistas itabaianenses Adeildo Vieira, o forrozeiro Aracílio
Araújo e o saxofonista Arnaud Neto, com um detalhe: foi a primeira vez que
esses consagrados músicos tiveram a oportunidade de se apresentar em sua terra
natal. Sabe por quê? Pelo simples motivos de que a população não conhece as
obras desses artistas de tão alto valor. E isso acontece porque as rádios
comerciais não tocam suas músicas. Eles não fazem parte do esquema do velho
jabaculê, que consiste na prática de uma gravadora pagar dinheiro para a
transmissão de músicas em uma rádio ou TV. Por isso, só são divulgados nas
verdadeiras rádios comunitárias, aquelas que adotam o princípio de valorizar os
artistas da região.
Recebemos
mensagem de Nesmar Monteiro, morador da cidade de Ipiuá, uma comunidade pequena
no sertão da Bahia. Naquelas paragens, informa o leitor, “o poeta Jessier
Quirino retrata o Nordeste como ninguém, entra na alma do nosso povo, fala com
uma sabedoria de quem viveu as agruras e alegrias do sertanejo. Aqui em nossa
Rádio Comunitária, o Jessier Quirino está invadindo as casas com suas prosas e
canções. Mas tem um detalhe: só as rádios comunitárias tocam Jessier, porque as
outras se resumem ao forró falsificado das bandas bundinhas”. Isso
indica duas verdades: primeiro: Jessier Quirino hoje é um nome nacional,
indiscutivelmente a maior revelação paraibana no campo da poesia e da música
regional dos últimos tempos. Segundo, as rádios comunitárias estão resgatando a
autêntica cultura de raiz, através das ondas eletromagnéticas de baixa
potência, nas pequenas cidades brasileiras.
Corrupção
também é cultura: a palavra jabaculê tem origem africana, e seu sentido
original é “oferenda para que os maus espíritos não interfiram na harmonia da
comunidade”. O jabaculê das rádios comerciais é, portanto, uma “oferenda” para
que o esquema do lixo da indústria cultural continue a rolar nas ondas do
rádio, em detrimento da música de qualidade. Mas cabe a pergunta: e rádio
comunitária também não “come” jabaculê? Pode até ser, mas é um tanto
complicado, porque a indústria da música não se interessa por pequenas rádios
que só alcançam uma pequena cidade ou um bairro. O negócio deles é macro, no
atacado, envolvendo grandes redes de rádio e TV.
Mas
voltando ao Jessier Quirino, o fotógrafo Euclydes Villar da microssérie “A
Pedra do Reino”, da Rede Globo, o homem tá se tornando “nacioná e
internacioná”, mas onde ele reina mesmo é na difusora de pé de poste do
interior, e nas pequenas emissoras como a Rádio Comunitária Alto Falante, do
Alto José do Pinho, comunidade pobre do Recife. Lá tem um programa chamado
“Politicando”, que fala de temas ligados à política, logicamente, em linguagem
simples para o povão. No programa eles tocam músicas que falam de política.
Rodam Legião Urbana, Raul Seixas, Lobão e outros. Daí apareceu um morador da
comunidade que entrou no debate e recitou “Comício de beco estreito”, um poema
clássico de Jessier Quirino. Portanto, menino, quando o poeta está na boca do
povo, é porque está consagrado pra “seculum seculorum”. Assim falou Zaratustra
e Biu Penca Preta...
Fábio Mozart
terça-feira, 16 de setembro de 2014
O MNRC não tem base no RS e SP, apenas. Sua maior
organicidade está no Estado de Santa Catarina, juntamente com os demais
Estados do Sul e Sudeste, além da Bahia e alguns focos em outros Estados. O
MNRC não comunga do atrelamento de entidades representativas a partidos
políticos ou pessoas. O objetivo é a criação de uma nova entidade
representativa a nível nacional, tipo: Associação Nacional de Rádios
Comunitárias, já que o MNRC não é entidade representativa, mas apenas um
Movimento Social que visa agregar todos os defensores, apoiadores e operadores
de rádios comunitárias, como essência da democratização dos meios de
comunicação.
E não admitiremos que o Nome MNRC seja achovalhado,
pois atualmente é a única força capaz de levar as reivindicações do meio com
isenção e credibilidade. O fato de alguns de seus integrantes apoiarem
Dilma ou qualquer outro candidato comprometido com a causa, que não é o caso
dos representantes empresariais, não lhe retira a legitimidade, até por que,
todos temos responsabilidade sobre o que já se conquistou até aqui,
principalmente de espaço institucional junto aos Governos, Poder Judiciario,
OAB, Ministério Público Federal, UNESCO, OEA e ONU. Se quiserem
mais detalhes, não economizarei palavras para defender o MNRC-Movimento
Nacional de Rádios Comunitárias.
MOVIMENTO
NACIONAL DE RÁDIOS COMUNITÁRIAS-MNRC
João
Carlos Santin
Frente
de Direitos Humanos e Asssuntos Jurídicos
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Coordenador da Abraço de Rondônia critica ABRAÇO Nacional e pede renovação
![]() |
Edmilson Costha (esquerda) da Abraço RO |
O radialista Edmilson
Costha, Coordenador Geral da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
em Rondônia, afirmou que a congênere nacional está desacreditada,
principalmente pelo envolvimento político dos seus dirigentes. “Com Soter e
Valdecir, a vaca vai pro brejo. Eles controlam a organização, impedem as
mudanças para democratizar e usam a Abraço para fins políticos”, disse Costha. Para
ele, o atrelamento político vem esfacelando o movimento de radcom. “Pela
terceira vez, adiaram o VIII Congresso da entidade para agosto de 2015, porque
até para um evento desses, eles dependem de verbas públicas oriundas de emenda
da deputada Luiza Erundina”, informa ele, para quem o ideal seria que todas as
Abraço bancassem suas despesas.
Sobre o Movimento
Nacional de Rádios Comunitárias, que está se organizando a partir de bases em
São Paulo e Rio Grande do Sul, Edmilson Costha também não tem muitas esperanças
de que saia uma renovação para enfrentamento das lutas pela democratizações da
comunicação via rádios comunitárias e livres. Para ele, esse Movimento também
só vai servir de massa de manobra de políticos e ativistas de esquerda. “O
Jerry Oliveira não quer nem que tenham um registro de CNPJ, para que seja um
movimento calcado no MST”, afirmou, acreditando que o MNRC já nasce “um pouco
sem rumo.”
Edmilson Costha faz
parte da Rádio Comunitária Rio Madeira FM, de Porto Velho, a partir da qual vem
procurando reorganizar as lutas, conforme esclarece.
domingo, 14 de setembro de 2014
Mais uma publicação sobre rádios comunitárias disponível na internet
Rádios Comunitárias:
avanços ou negação do direito humano à comunicação? – refere-se ao tema da Comunicação
e suas implicações para a ação educativa em direitos humanos, proposta pelo
Programa de Educação para a Cidadania, por meio da intervenção Rede Solidária
de Defesa Social nos territórios populares da cidade do Recife, locais onde
incidem os maiores índices de violência contra o segmento da população jovem. O
estudo revela-se como um mote para inúmeras descobertas, para a questão específica
de rádios comunitárias que, mesmo vistas como importante vetor de comunicação,
apesar de sua vocação para estarem tão perto da população que habita as comunidades,
muitas vezes permanecem tão longe do alcance de muitas delas!
Nesse sentido, fica
evidente o interesse manifesto pelos líderes comunitários, constituídos por
grupos jovens e adultos, de conhecer esse universo das rádios existentes em sua
localidade, tendo em vista a negociação de ações conjuntas com o movimento
popular que venham favorecer especialmente aquelas ações voltadas para o
fortalecimento da luta pela prevenção à violência.
Entretanto, o estudo,
para além da realidade empírica da existência e das condições do funcionamento
no cotidiano das rádios comunitárias, sugere outros desdobramentos do tema
da Comunicação Comunitária, contextualizada numa conjuntura marcada por
profundos conflitos. A realidade - vista pelas limitações burocráticas e legais
impostas às rádios comunitárias como meios de comunicação e distribuição de
informações à comunidade - remete ao pensamento crítico contra a violência
política exercida pelos meios dominantes de comunicação e nos desafia à busca
de uma cultura política.
(Do livro RÁDIOS COMUNITÁRIAS: AVANÇOS OU
NEGAÇÃO DO DIREITO HUMANO À COMUNICAÇÃO? – De Célia Dantas Gentil Rique)
sábado, 13 de setembro de 2014
Radialistas comunitários inserem temas sobre radcom em pauta de reunião com Presidenta Dilma
O radialistas
comunitário Ângelo Ignácio, de São Paulo, representará o Movimento Nacional de
Rádios Comunitárias em encontro com a Presidenta Dilma Roussef nesta
segunda-feira, 15. “Estarei representando também os artistas suburbanos, já que
se trata de um encontro de cultura, mas vou aproveitarei para defender temas da
comunicação comunitária”, disse Ângelo, adiantando que falará sobre o decreto
que beneficia as entidades de radcom e a descriminalização do movimento. “Terei
cinco minutos para falar com a Presidenta, e o nosso objetivo é de pegar um
compromisso para que ela tome a iniciativa de assinar esse decreto como o
primeiro ato da sua próxima gestão”, afirmou ele.
Na questão cultural,
Ângelo Ignácio disse que pretende defender a “territorialização das verbas da
cultura e assimilação desse conceito nas definições de controle social, além do
lazer como direito humano.”
POLITIZAÇÃO
O Movimento de rádios
comunitárias, através de suas entidades mais representativas, está engajado
totalmente na campanha de reeleição da atual Presidenta Dilma. A Associação
Brasileira de Radiodifusão Comunitária, da qual o Movimento Nacional de Rádios
Comunitárias – MNRC é dissidente, faz campanha abertamente para a candidata do
Partido dos Trabalhadores.
A Agência Abraço,
órgão da Abraço Nacional, virou uma central de notícias da campanha da petista,
enviando inclusive para as rádios comunitárias spots e releases publicitários.
“A Agência Abraço é um braço do esquema de comunicação da campanha de Dilma,
seu escritório funciona abaixo do escritório de conhecido senador petista”,
disse Edmilson Costha, militante do movimento.
“Como teremos moral para combater o proselitismo político nas rádios
comunitárias quando vemos nossas entidades representativas engajadas em
campanhas partidárias?”, indaga Claudionor Mendes, outro militante.
O Boletim Radcom nas Eleições é divulgado nacionalmente através da Agência Abraço, por meio de sonoras. Uma delas informa: “Dilma diz que as mudanças promovidas pelo seu governo vão desmentir adversários”, com trechos de discursos da Presidenta candidata.
CONTRADIÇÕES
A relação dos que se dizem líderes
do movimento de radiodifusão comunitária com o governo de Dilma Roussef é
repleto de contradições, juntando atração e repulsa. Jerry Oliveira, radialista
de São Paulo, foi incisivo: “Não me esquecerei, Dilma, do que fizestes
com as nossas rádios comunitárias e do processo de aniquilamento promovido pelo
seu Ministro das Comunicações, do processo de criminalização dos movimentos
sociais levado a cabo pelo seu Ministro da Justiça, do golpe na luta pela
democratização da comunicação com o engavetamento do PL de mídia democrática de
Franklim Martins.” Apesar de tudo, ele diz que vota na Dilma, “para evitar que
a direita chegue ao poder”.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Professora gaúcha indica blog da Rádio Zumbi para o Prêmio Liebster Award
A professora e blogueira Aparecida Ramos, de São Caetano do
Sul, RS, indicou este blog da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares para o
Prêmio Liebster Award, pela qualidade do
seu conteúdo e atualização diária das postagens, com a maioria de textos
originais.
Aparecida mantém o blog
www.rosachoqueeoutrascores.blogspot.com.br O prêmio Liebster Award é dado
para blogs com menos de 200 seguidores. Agradecemos à nossa leitora pela
simpática atenção ao nosso blog.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Audiência pública abre debate para rádios comunitárias e Amarc Brasil e entidades reivindicam novas outorgas para o Rio de Janeiro
![]() |
Pedro Martins |
No dia 28 de agosto a Amarc Brasil participou da audiência pública “Rádios Comunitárias: Desafios e perspectivas” promovida pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. A iniciativa dá continuidade ao evento realizado pela mesma Procuradoria durante o Fórum Mundial de Direitos Humanos em Outubro de 2013.
Na audiência pública pudemos entregar uma carta assinada com diversas entidades reivindicando a abertura de um aviso de habilitação para novas rádios comunitárias no Rio de Janeiro, tendo em vista a demanda crescente e o fato de não ser aberto nenhum aviso desde 2010 para a cidade. Fatos como este impedem com que muitas pessoas tenham acesso ao direito à comunicação e acabem sendo criminalizadas quando tentam exercê-lo.
A Amarc Brasil ressalta a importância da abertura deste canal de diálogo junto a Procuradoria, pois abre a oportunidade para que as rádios comunitárias possam dialogar diretamente com uma instância do poder judiciário. Desta forma, torna-se possível levar luz para os problemas da atual legislação e buscar alternativas contra o atual cenário de criminalização dos comunicadores comunitários e livres.
O tratamento diferenciado dado para o setor comercial e o setor comunitário é algo que vem ao longo de nossa história sufocando o exercício livre do direito à comunicação. Encaramos tal direito como um direito humano fundamental e que deve ser garantido a todos e todas com igualdade de condições garantidas pelo Estado. Neste sentido, a Amarc Brasil busca trazer colaborações de experiências positivas aplicadas em âmbito internacional que ajudariam o Brasil a romper a atual barreira que afasta a maioria da população do direito à comunicação.
A Procuradoria sinalizou a intenção de fazer novas audiências, pelo menos uma em cada região do país. Ressaltamos a importância da presença da sociedade civil, fator fundamental para a construção de saídas democráticas construídas através do diálogo. Esperamos que, ao invés de liminares como a da Abert, que tiram a possibilidade de rádios comunitárias receberem verba de publicidade oficial, sufocando assim a sustentabilidade destas, tenhamos espaços de construção de diálogo para que o direito à comunicação seja viabilizado a todos, e não somente aos poderosos grupos econômicos.
Enfim, pautaremos nosso debate tentando sensibilizar o poder judiciária para a necessidade que a lei brasileira garanta o acesso igualitário ao direito humano à comunicação. Partindo deste princípio, da comunicação como direito humano, temos certeza que avançaremos para conquistas que serão importantes não só para os comunicadores comunitários, mas para toda a sociedade brasileira que anseia por mais democracia e mais direitos.
Este é o nosso compromisso.
Amarc Brasil
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