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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rádio comunitária da Paraíba bate recorde como ré em ações na Justiça



A Rádio Comunitária Araçá, de Mari, Paraíba, está respondendo ao 48º processo na Justiça, desde sua fundação há quinze anos. Desta vez, o reclamante é Walter Nazareno de Andrade, conhecido como Cabo, que protocolou ação na Comarca de Mari acusando o diretor da rádio, Severino Ramo, de o ter chamado de “cachaceiro”. "Fui atingido em minha moral e quero que a justiça seja feita. Acredito e confio na justiça por isso ingressei com essa ação judicial contra Ramo e a emissora Araçá FM", disse Cabo.

A rádio Araçá é a emissora que mais responde a processos por calúnia e difamação na Paraíba, e talvez no Brasil. “Somos perseguidos por um grupo político que quer calar a rádio, fechando suas portas, e por isso as ações seguidas na Justiça pedindo indenização por supostos danos morais”, disse João Antonio, um dos diretores da emissora comunitária.

Recentemente, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mari, dirigido pelo vereador José Martins, pai do atual prefeito Marcos Martins, entrou com ação na Justiça pedindo R$ 40 mil reais de indenização. Motivo: a rádio retirou o programa do Sindicato Rural do ar, alegando utilização política do mesmo.

A iniciativa de seguidores partidários do grupo político do atual prefeito de moverem ações judiciais contra a Rádio Comunitária Araçá faz parte de antigo plano dessa facção política para dominar a rádio e a colocar a serviço dos interesses políticos desse grupo, segundo entende o presidente da emissora, Severino Ramo. “Como não conseguem ocupar a rádio pelas vias normais, procuram sufocar judicialmente a instituição”, acredita ele.

As decisões da Justiça têm sido sempre a favor da Rádio Comunitária Araçá, que sobrevive no meio de impactos políticos locais. Um dos fundadores da rádio lembra que, no início dos trabalhos da emissora, um vereador local apresentou projeto de lei proibindo a rádio de receber colaboração financeira de qualquer espécie, numa tentativa de sufocar economicamente a entidade. “O projeto foi derrotado por ser absurdo, mas foi o começo dessa guerra entre o poder popular da comunicação contra as elites políticas de Mari”, afirmou.