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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para professor de comunicação, Rádio Cruz das Armas imita o pior das rádios comerciais


Jonildo Cavalcante Filho é presidente da Cruz das Armas FM (Foto do blog www.plogramaesporteeacao.blogspot.com)


O professor de comunicação Carmélio Reynaldo, da Universidade Federal da Paraíba, disse que a rádio comunitária Cruz das Armas, de João Pessoa, “é um arremedo das rádios comerciais”. Ele contou que, no começo das transmissões, procurou ouvir a emissora, mas não seguiu mais sua programação depois de observar que a experiência de rádio diferente e realmente comunitária não teria lugar naquela emissora, a única com outorga de comunitária na capital da Paraíba. A declaração foi feita durante entrevista no programa “Alô comunidade”, da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, transmitido pela Rádio Tabajara da Paraíba AM no dia 15 de setembro. Carmélio é produtor do “Espaço Experimental”, programa do laboratório de radiojornalismo do curso de comunicação social da UFPB.

A “Cruz das Armas” vem de uma tradição de rádios comerciais, já que seu diretor presidente é filho de conhecido comunicador do rádio paraibano, Jonildo Cavalcante, 'o filho de Seu Severino', o rei do Sertão, assim ele se apresentava ao balançar o chocalho acordando os ouvintes. Fazia um programa com músicas regionais e marcou época no rádio paraibano, especialmente na Rádio Tabajara.

O irmão de Jonildo, Jacy Cavalcanti, foi compositor e produtor de programas de sucesso na Tabajara. Portanto, Jonildo Cavalcante Filho segue a trilha dos familiares, agora com a concessão de uma rádio comunitária. “Devemos respeitar o trabalho do filho de Jonildo, comunicador que tem o rádio no sangue, mas, por amor à verdade, somos obrigados a reconhecer que sua emissora não tem perfil de comunitária”, disse Beto Palhano, um dos apresentadores do programa “Alô comunidade”.

A Rádio Cruz das Armas paga o preço de tentar atuar como uma rádio comercial com outorga de comunitária. Suas concorrentes boicotam anunciantes e as rádios comunitárias dos bairros próximos criticam a forma como atua a emissora, com venda de espaços na programação para igrejas evangélicas, programas sensacionalistas e veiculação de músicas consideradas inapropriadas para este tipo de emissora, além de faltar o controle social que seria feito por um Conselho Comunitário atuante e legítimo.