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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Movimento social, partido político e rádio comunitária

Compreende-se que para fortalecer a democracia participativa é fundamental refletir sobre o papel que está sendo desempenhado pelos movimentos sociais e como este se processa em sua relação com os partidos políticos. Para o estudioso e pesquisador Castell (2009) os movimentos sociais constituem-se como sistemas de práticas sociais contraditórias cuja natureza é transformar a estrutura do sistema através de ações revolucionárias ou não. Para Bobbio (2000) os partidos políticos são agentes de levam adiante a missão de transformar as demandas sociais em ações políticas, ou seja, são os mediadores entre a sociedade civil e o Estado.
Uma discussão prioritária sobre o tema passa pela questão da autonomia dos movimentos sociais diante dos partidos políticos quanto a formulação, condução e busca pela implementação de sua proposta.
Conseguir inserir as propostas de luta do movimento social entre as do partido político pode ser considerado um avanço, pois para que tal fato se concretizar depende do poder de mobilização, organização e sensibilização do movimento social. O ponto destoante está nas estratégias a ser articuladas entre o partido político e o movimento social na busca por caminhos que levem a implementação das questões reivindicadas. Os partidos absorvem para si o direito de prioridades diante das questões em pauta. Ou seja, aquelas questões de maior visibilidade diante da sociedade e relevam muitas que são de suma importância para o aprofundamento da democracia por estas desagradarem setores aliados da hora e formadores de opiniões. Entende-se aqui que o aprofundamento da relação entre os partidos e os movimentos sociais é estratégico porque constitui um pilar necessário para o aprofundamento da democracia e evidencia os direitos de cidadania.
Quanto aos movimentos sociais é preciso explicitar que estes apresentam uma “dupla face” sendo uma “a pública, que enfatiza a igualdade, a união e o consenso; e outra oculta que se compõe por cisões, divergências e o distanciamento das práticas de participação coletiva.
Ressalto aqui de forma particular a luta que se desenrola em seu primeiro momento do movimento social das rádios comunitárias do estado de Sergipe um movimento caracterizado por Peruzzo (2006) como de comunicação popular e alternativa que representa um espaço para participação democrática.
No atual contexto político 100% das reivindicações que ora fazem parte da pauta das associações de rádios comunitárias possui o poder de fortalecer e unificar o coletivo na luta. A luta neste momento é para que o Estado tenha uma política de comunicação comunitária, inclua na sua estrutura administrativa um setor que cuide de rádio comunitária e estabeleça uma parceria em forma de convênio ou qualquer instrumento legal que possa permitir as emissoras comunitárias veicularem campanhas e ações de interesse público.
Mas, em um futuro segundo momento as divergências internas no movimento aflorarão, pois a Abraço Sergipe defende que a comunidade na qual está inserida o veiculo de comunicação se aproprie de todo o processo técnico e político que a conceitua como comunitária. Há aquelas apropriadas por indivíduos interessados em tê-las como fonte de renda (uso como negócio comercial), e por outros tipos de articulações, seja político-partidária (para uso político-eleitoral) ou religiosa (usadas para conscientização, promoção social ou até apenas para proselitismo de igrejas, conforme cada caso). Essa situação descaracteriza o aspecto comunitarista, provoca controvérsias, distorções e incompreensões no segmento comunitário e não é a postura defendida pela nossa associação de classe.

Roberto Amorim
Secretário Executivo da Abraço Sergipe