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terça-feira, 4 de outubro de 2011

PARAÍBA

Da Penha, Agnaldo e Flávio, da Rádio Comunitária Lagoa FM, uma das participantes do projeto

Trabalhadores da comunicação comunitária ocupam programação em emissora pública

É fato que o movimento de rádios livres e comunitárias da Paraíba teve uma vitória, ao encaixar um programa na Rádio Tabajara (1.110 AM), o “Alô comunidade”, transmitido todos os sábados às 14 horas, sob a responsabilidade da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, de João Pessoa, com mais seis rádios comunitárias do Estado. Apresentado por comunicadores das rádios participantes do projeto, sob a coordenação do jornalista Dalmo Oliveira e do radialista Fábio Mozart, o programa está no ar desde julho. Os objetivos são de abrir espaço para artistas que não têm lugar na mídia tradicional e realizar entrevistas com lideranças comunitárias sobre temas geralmente ligados à realidade das comunidades e, principalmente, debater o tema rádio comunitária.

O diretor de operação da Rádio Tabajara, Cristóvão Tadeu, foi quem deu o aval para a ocupação desse espaço na grade de programação da emissora oficial do Estado. Ele foi muito receptivo à ideia, acreditando que uma emissora pública não pode ficar alheia a um movimento de comunicação popular tão legítimo. Apesar da discriminação que sofrem essas rádios de baixa potência, a Tabajara aposta no projeto porque “a proposta da emissora no novo governo é tentar incluir os de baixo, os que não têm voz, dialogar com as culturas populares e trazer os perseguidos e criminalizados para que possam assumir seu papel de ouvinte e falante com a sociedade, sem restrição”.

ACOMODAÇÃO

As rádios comunitárias que estão no ar receberam o convite para participar do programa, mas a receptividade tem sido baixa. Poucas emissoras aderiram ao programa até agora. A proposta é de cada rádio ocupar cinco minutos semanais para noticiar os fatos de sua comunidade e realizar breves entrevistas com artistas e lideranças da região, tempo inserido nos 60 minutos do programa. Em contrapartida, a emissora deverá retransmitir o programa, gravado, em qualquer horário de sua grade. “Pelo que sei, é proibido rádio comunitária entrar em cadeia”, disse Severino Ramos, da Rádio Comunitária Araçá, de Mari. Já o coordenador do “Alô comunidade”, Dalmo Oliveira, tem a opinião de que não se trata de transmissão em cadeia e que essa é uma análise apressada e menos refletida. “Primeiro porque a geradora do programa é a Rádio Tabajara, que não é comunitária e sim uma emissora pública. Segundo porque, no momento em que você grava o programa e o retransmite em outro horário, desqualifica a questão da transmissão em cadeia”, ensina ele.

O radialista Fábio Mozart faz outra análise da aparente indiferença das rádios comunitárias em relação ao primeiro programa focado nessa categoria de emissora a ser transmitido por uma estação de rádio potente, de caráter público, que alcança três estados nordestinos. “O que deve ocorrer é que as rádios comunitárias que receberam sua outorga, ou são falsas comunitárias, por isso não teriam interesse em ocupar espaço na sua grade de programação com um programa de luta pelo movimento, mas que não dá lucro, ou por outra são rádios que se acomodaram, entidades que estão de certa forma fora do controle popular, rádios que não têm história de resistência”. Para ele, só os que ousaram, resistiram e transmitiram cultura e rebeldia têm consciência dessa luta e sua continuidade. Fábio cita a Rádio Comunitária Diversidade, do bairro Jardim Veneza, em João Pessoa, como uma autêntica comunitária que incentiva o movimento e está engajada em todas as lutas das coirmãs.