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domingo, 13 de março de 2011

DEBATE


Rádios Comunitárias – qual o seu papel na sociedade?

Leonardo Santos, da Rádio Comunitária A Voz do Morro, responde a perguntas sobre rádios comunitárias no site Jornalismo B, juntamente com Doraci Angel, da Rádio Ipanema Comunitária.

DORACI - “O papel das rádios comunitárias é a utopia. A questão é saber o que dessa utopia vai de fato se viabilizar. Ainda que tenhamos um grande espectro de rádios comunitárias, ocorre um boicote institucionalizado às rádios comunitárias. Precisamos que o país assuma as rádios comunitárias e isso se institucionalize. Esse debate está avançando, como com a Conferência. Sistema privado, sistema estatal e esse sistema público comunitário precisam de paridade. Mas toda a política de Estado, que nem é uma política propriamente definida, vai no sentido de defender o setor privado. É o único que consegue se viabilizar. O setor estatal está mal e o setor comunitário simplesmente não existe”

LEONARDO - “Muitas rádios comunitárias viram picaretagem, por causa do modelo que está aí. Não existe fomento, não existe política, só mercado. Temos um universo imenso de um negócio que ninguém sabe bem o que é. Temos mais rádios comunitárias do que comerciais, e estou falando só das outorgadas. Entretando, as pessoas não sabem o que são rádios comunitárias, ou acham que é só aquilo que derruba avião.

DORACI – Fala sobre a experiência com a Rádio Ipanema Comunitária. Conta o início da rádio, explicando que, como jornalista, vinha acompanhando o debate sobre rádios comunitárias, mas de forma periférica. Após trabalhar na grande imprensa, viu as rádios comunitárias como uma alternativa para retornar ao idealismo que possuía. Diz que foi uma militância tardia. Conta que fez uma carreira e resolveu interromper essa carreira precocemente para se integrar ao movimento comunitário, e depois veio a rádio.

Em 2001, criou o movimento SOS Ipanema, para defender uma área verde em Ipanema. Com o boicote que recebeu da grande imprensa, passou a se articular com outras pessoas para a criação da rádio. Por coincidência, bem nessa época estava sendo lançado um edital para concessões. Participaram e, em 3 anos, conseguiram. Doraci diz que não houve “apelação” política para conseguir a outorga, apesar das pressões. “Não demos conotação político-partidária”.

Doraci diz que o Governo Lula foi um desastre para as rádios comunitárias. “Foi o governo que mais fechou rádios comunitárias ao mesmo tempo em que foi o que mais concedeu outorgas. Teve esse tempo todo para construir políticas. Não fez nada. Construir ações, então? Nada. Construir programas? Não construiu nada. Fazer campanhas? Nada. Esse é o governo Lula com relação às rádios comunitárias.”

LEONARDO - Leonardo diz que o papel da sociedade é participar. “A questão do individualismo é complicada, porque as pessoas têm auto-estima muito baixa, então não participam. E muitas das que participam têm um ego muito grande. Então tu lidas com pessoas que acham que não podem mudar nada, e com lideranças que acham que podem fazer tudo por todo mundo. É complicado juntar essas pessoas. É cada vez mais difícil perceber o que é ‘a sociedade’, ‘a comunidade’. A comunidade é uma coisa que a gente tenta contruir”.