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terça-feira, 29 de março de 2011

As rádios comunitárias na internet


Luciana de Oliveira

O rádio conquista a rede mundial de computadores, sem encontrar barreiras, ultrapassando fronteiras e limites, alcançando todo o Brasil, assim como o mundo. A transmissão por ondas sai de cenário e entra a transmissão on line. Não só rádios comerciais começaram com esse tipo de transmissão, mas as comunitárias também encontraram espaço, transmitindo programações ao vivo através da internet.

Com o objetivo de fortalecer a democratização da comunicação e exercer a cidadania, a rádio comunitária viu a internet como um meio alternativo e uma oportunidade de informar com liberdade, driblando as perseguições, o preconceito e a exclusão. O número deste tipo de emissoras que usam a web ainda é pequeno, devido à falta de recursos, dentre outras dificuldades, mas está cada vez mais barato investir numa transmissão na rede.

A rádio comunitária RP Notícias, de Rio das Pedras, Jacarepaguá, migrou para a internet há cerca de um ano, com a pretensão de estender a sua programação a outras cidades e países. A rádio ampliou, assim, a relação entre público e locutores, mas sem deixar a transmissão por antena.

É o que explica a diretora Vanda Santos: “A rádio convencional tem um limite de alcance – funciona apenas nas adjacências. Na net, ela vai além e a audiência é bem grande em outras cidades do Brasil, principalmente no Nordeste”, diz.

Miranda, dirigente da Rádio Jovem, de Casimiro de Abreu, no estado do Rio de Janeiro, diz que a transmissão via internet foi um complemento, porque viu a necessidade de aumentar a abrangência da emissora, que tem um limite de potência.

Outra comunitária que alçou vôos rumo à web há três anos é a Rádio Maré, também do Rio de Janeiro. O diretor Wladimir Aguiar

acredita que as transmissões analógicas serão extintas e por isso viu a internet como um meio de explorar novos públicos e garantir um espaço.

Ele explica que as transmissões on line oferecem uma grande flexibilidade tecnológica: “Alguns programas são produzidos e veiculados ao vivo, fora da favela, e transmitidos remotamente pelo estúdio principal. Temos total controle do estúdio do Morro do Timbau, no complexo de favelas da Maré. Muitas entrevistas são transmitidas ao vivo, sem a necessidade de estar no estúdio".

Perguntado sobre as diferenças entre a Rádio Maré “antena” e a Rádio Maré na internet, Wladimir Aguiar responde que não existe nenhuma, em questão de programação, mas em questões técnicas, sim: “A interação é “full-duplex”, na qual o ouvinte interage e se integra na programação de qualquer lugar do planeta, desde que tenha uma conexão com a rede mundial de computadores. Isso derruba qualquer tentativa da grande mídia de limitar nosso raio de alcance a 1 km".

O diretor da Rádio Maré desabafa: “Agora, o que vale é a qualidade da programação. É a democracia nos meios de comunicação na marra. Esse é o preço que terão de pagar pelo progresso. Nunca o movimento pela democracia nos meios de comunicação poderia imaginar que seria tão fácil montar uma rádio. São os novos tempos da comunicação. Por R$ 9,90, se pode transmitir uma rádio na web. Estou muito feliz por isso. Lembro de muitos companheiros que foram presos, humilhados e processados. Isso prova que estávamos certos, pois a lei de radcom ficou esdrúxula. E agora, a web rádio vai derrubar avião?”, questiona.

Wanderley Gomes diz que a Rádio Estilo Livre, no Vidigal, da qual é dirigente, ainda encontra-se fora da internet, pois o custo é alto e a emissora não tem condições de bancar. Ele acredita que, se os custos fossem barateados, isso seria uma realidade.
Estima-se que 286 rádios comunitárias estão na web, sendo 21% no Rio de Janeiro, 48% em São Paulo, 19% na Bahia e 32% em Minas Gerais, entre outros estados brasileiros, segundo dados do Ministério das Comunicações, de 02 de junho em 2008.*

O surgimento e a evolução do rádio


Quando o rádio surgiu, uma nova forma de comunicação apareceu, encurtando distâncias e alcançando lugares nunca antes explorados. O italiano Guglielmo Marconi desenvolveu a tecnologia de transmissão de sons por ondas de rádios no fim do século XIX, mas a Suprema Corte Americana reconheceu Nikola Tesla como o criador do veículo, já que Marconi usara 19 patentes dele em seu projeto.

De lá para cá, muitos avanços aconteceram. Com o rádio não poderia ser diferente. Depois da invenção da televisão, julgava-se que ele não sobreviveria. Porém, o inverso aconteceu: o rádio acompanhou as mudanças tecnológicas e evoluiu. As rádios AM e FM passaram a transmitir via satélite a partir de 1962. Hoje, se fala do rádio digital, ainda em fase de definição, prometendo revolucionar este meio.

Com surgimento em 1988, a internet prova que é um poderoso veículo de comunicação mundial e propõe a liberdade de expressão de várias maneiras, seja através de sites, blogs e redes de relacionamento, por exemplo, e oferecendo diversos recursos e ferramentas inovadoras.

Abraço
Objetivando o fortalecimento da liberdade de expressão, o exercício da cidadania através dos meios de comunicação, a resistência à opressão imposta pelos órgãos do governo e o combate ao monopólio dos veículos de comunicação, as rádios comunitárias sentiram a necessidade de unificar essas reivindicações através de entidades capazes de representá-las e defendê-las. Assim, surgiu a Abraço - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – criada em 1996.

Além da entidade nacional, existem as “Abraços” estaduais, como a Abraço Rio Grande do Sul, Abraço São Paulo, Abraço Rio de Janeiro, Abraço Distrito Federal, Abraço Paraíba, dentre outras. No Rio de Janeiro, existem ainda as Associações de Radiodifusão Comunitária (Arcom): Arcom Baixada Fluminense, Fluminense, Norte Fluminense e Serrana.