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segunda-feira, 17 de março de 2014

Comunicador de radcom concede entrevista polêmica no “Alô comunidade”


No último sábado (15), o radialista comunitário Severino Ramo, da Rádio Comunitária Araçá, de Mari/PB, fez declarações fortes a respeito da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária no Estado da Paraíba (Abraço/PB) e todo o movimento de rádios comunitárias no país. De estilo arrojado e independente, o comunicador declarou, entre outras coisas, que a Abraço/PB não funciona efetivamente no Estado. “Tivemos recentemente duas rádios comunitárias queimadas na Paraíba e não se leu nenhum comunicado dessa associação se solidarizando com os companheiros diante desse crime contra a liberdade de expressão”, disse ele. Para Ramo, a Abraço não se caracteriza como uma entidade de defesa das rádios comunitárias por faltar representatividade. “Só há uma única rádio comunitária representada na atual diretoria da Abraço/PB, eleita em uma assembleia onde apenas estiveram quatro rádios comunitárias que durou apenas três horas e onde não se discutiu os grandes problemas do setor, enquanto que em Pernambuco, juntaram 80 rádios no seu congresso que durou três dias”, comparou.

RADICALIZANDO

Ramo chegou a afirmar na entrevista que a luta das rádios comunitárias para fazer valer o direito à comunicação passa por uma verdadeira guerrilha urbana. “Teríamos que invadir o espectro das rádios comerciais nas grandes cidades, só assim seríamos vistos e a questão seria debatida pela grande mídia que ‘come’ 3 bilhões do Governo Federal em propaganda institucional e para as rádios comunitárias só cadeia e processo”. Para ele, uma coisa é a Polícia Federal fechar uma rádio de cidadezinha do interior, outra coisa é reprimir vinte ou trinta rádios com a comunidade apoiando nas ruas. “Enquanto não houver organização e disposição de luta, seremos massacrados porque o inimigo é poderoso”, ensina.

A existência de legislações que prevêem sanções criminais para o exercício da radiodifusão comunitária sem as devidas autorizações, uma política de fiscalização repressora e a predominância de decisões judiciais que aplicam sanções criminais - mesmo havendo um debate jurídico sobre a possibilidade de aplicação apenas de sanções administrativas -  constituem fatores que, quando associados, geram um contexto de criminalização das rádios comunitárias no território brasileiro. A Rádio Comunitária Araçá, onde Ramo é Diretor Presidente, já enfrentou 32 processos na Justiça Federal e foi fechada pela PF no final dos anos 1990.

Ouça a gravação da entrevista: