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terça-feira, 27 de abril de 2010

O rádio paraibano já viveu bons momentos.


Anco Márcio

Segundo Petrônio Souto, o rádio paraibano, no geral, começou como o rádio do resto do país, só que com as desvantagens inerentes ao colonialismo interno existente no Brasil, onde o eixo Rio de Janeiro-São Paulo até hoje exerce a hegemonia econômico-cultural no país. De acordo com as palavras de Souto:

"Esta realidade, que assume no Brasil caráter de fatalidade histórica, provocará descompasso, por exemplo, no emprego de inovações tecnológicas. As novidades chegarão primeiro no Sudeste. Depois é que serão, digamos, liberadas para conhecimento dos nordestinos. No entanto, se forem elementos que possam consolidar mais ainda a dominação do Centro-Sul sobre a nossa região, ficarão por lá mesmo, até por uma questão de capacidade econômica para utilizá-las.

Na Paraíba, o surgimento do rádio remete a 1931. É inaugurada a Rádio Clube da Paraíba (escrita como "Parahyba", conforme a ortografia da época, vigente até 1943). Fundada por José Monteiro Gomes de Oliveira em parceria com Oliver von Söhsten, a emissora viveu bem tardiamente a etapa das rádios-clubes, com seus associados sustentando financeiramente a emissora.

A história do rádio paraibano, ao longo dos anos, no entanto caminhou para a queda de qualidade, principalmente por dois fatores: as redes via satélite, que reduziram as chances de uma programação regional mais vasta, e a venda de rádios AM (e até algumas FMs) para seitas evangélicas, que foi o carro-chefe do governo de Fernando Collor para liquidar com a Amplitude Modulada.

Com isso, o rádio na Paraíba teve o triste desfecho registrado no final do século XX: a Tabajara AM virou Jovem Pan AM, com programação concentrada em São Paulo. Idem para a Arapuan que se transformou em CBN. A Rádio Correio sofre com a "papagaiagem" (retransmissão em FM de uma emissora AM na mesma região) das FMs. A Sanhauá AM é uma rádio feita para fins políticos. A Cidade Verde AM, depois de integrar a Jovem Pan 1 (AM) Sat, foi comprada pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Além disso, a Rede Transamérica, desde 2001, está "macaqueando" a programação AM em rede nacional, tirando o sono dos empresários da Amplitude Modulada, mesmo se a Transamérica ou outras FMs do esquema, sejam regionais ou nacionais, não tiverem audiência. É que, com o "jabá", prática nociva das FMs, fica mais fácil até fraudar pontos no Ibope, colocando meia-dúzia de taxistas, donos de botequins e porteiros-de-prédio para sintonizar aos altos volumes uma transmissão esportiva de FM e, mesmo se só eles ouvissem tal transmissão, a poluição sonora (que dá impressão de que quarteirões estão sintonizados na tal FM) garante a "liderança fácil" da emissora no Ibope.

Enquanto isso, os empresários que apostam na "reprodução" de clichês do Sudeste, preferem apostar em adotar um falso sotaque paulista para seus locutores, além de, com a programação de rede, forçar o ouvinte a ficar informado sobre um engarrafamento na Av. Paulista, enquanto deixa de saber sobre os detalhes do trânsito na própria João Pessoa.


Baseado em informações registradas pelo jornalista Petrônio Souto. (trechos)

ACRESCENTAMOS: E a única rádio "comunitária" de João Pessoa é uma comercial disfarçada, que tem até vergonha de botar o nome "comunitária" na sua logomarca.