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sábado, 30 de junho de 2012

Associação pede que rádios comunitárias não toquem “forró de plástico”



A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária no Estado da Paraíba – Abraço, externou sua preocupação com as músicas que seriam executadas durante os festejos juninos. Para a Abraço, a visão dos diversos questionamentos debatidos e ouvidos nos espaços das discussões das emissoras comunitárias leva ao entedimento de que rádio comunitária “deve ser instrumentos da boa música, e não reproduza ou imite programação das emissoras comerciais, onde a única finalidade é o lucro pelo lucro”. Na nota, a Abraço conclama que as rádios comunitárias sejam um instrumento de descoberta dos artistas locais e regionais, dando espaços e ajudando a lapidar, cada vez mais a boa música, “principalmente o nosso forró pé de serra.”
Implicitamente, a entidade representante das rádios comunitárias faz uma crítica à programação das rádios comerciais que prioriza as bandas do chamado “forró de plástico” em detrimento das manifestações autênticas da música nordestina. “Nós, comunicadores populares, temos um discernimento claro do que é música para nossas vidas e o que é música apenas para o faturamento do mercado produtor do capital”, diz a nota da Abraço, assinada por José Moreira, Daniel Pereira e Maria Neuma Rodrigues.
As bandas de forró “estilizado” estão no centro de um debate que se arrasta nos meios comunicacionais e culturais. O atual Secretário de Cultura da Paraíba, cantor e compositor Chico César, determinou que os órgãos governamentais ligados à cultura e ao turismo não deveriam contratar esses conjuntos, o que desencadeou imensa discussão no Estado entre empresários de bandas, agentes culturais e emissoras de rádio, uns a favor e outros contrários ao pensamento de Chico.
Para botar pimenta no assunto, a Polícia Federal explodiu um esquema de superfaturamento de shows envolvendo empresários desse tipo de banda na Paraíba, culminando com a prisão de vários deles, juntamente com alguns prefeitos e secretários municipais.
Para o cantor e compositor paraibano Orlando Otávio, as bandas de forró estilizado são instrumentos de dominação do povo, “ao despir esse povo de sua cultura natural, daquilo que o identifica enquanto grupamento social homogênio, com linguagens e referências próprias.” Para ele, esse tipo de música é apenas jogada de marketing que distorce as festas juninas.