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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Reconhecendo uma rádio comunitária


Charge de Rafael Costa


A rádio comunitária que faz jus a este nome é facilmente reconhecida pelo
trabalho que desenvolve. Ou seja, transmite uma programação de interesse social vinculada à realidade local, não tem fins lucrativos, contribui para ampliar a cidadania, democratizar a informação, melhorar a educação informal e o nível cultural dos receptores sobre temas diretamente relacionados às suas vidas. A emissora radiofônica comunitária permite ainda a participação ativa e autônoma das pessoas residentes na localidade e de representantes de movimentos sociais e de outras formas de organização coletiva na programação, nos processos de criação, no planejamento e na gestão da emissora. Enfim, se baseia em princípios da comunicação libertadora que tem como norte a ampliação da cidadania. Ela carrega, aperfeiçoa e recria o conhecimento gerado pela comunicação popular, comunitária e alternativa no contexto dos movimentos sociais na América Latina desde as últimas décadas do século XX.

Mas a flexibilidade na classificação das rádios comunitárias é recomendável, afinal como disse Tomás de Aquino, “a vida transborda o conceito”. Há casos históricos em que mesmo faltando um ou outro desses aspectos em uma rádio, esta consegue prestar bons serviços à comunidade onde se insere. Há rádios que facilitam mais o acesso na programação. Outras, embora sejam conduzidas por pessoas comprometidas com a melhoria da “comunidade”, não têm tradição de facilitar o envolvimento amplo de representantes das organizações locais na gestão.

Publicado no livro O retorno da comunidade: os novos caminhos do social, organizado por Raquel Paiva. Rio de Janeiro.