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terça-feira, 23 de março de 2010

Líder do MST em guerra contra a rádio comunitária Araçá, de Mari (PB)


O vereador Edvaldo Martins (PRB) e líder dos “sem terra” no município de Mari (PB), chamou o presidente da emissora Araçá FM e apresentador do programa Araçá em Debate de leviano e irresponsável. "Fomos bombardeados, compararam-nos, os nossos assentamentos, à Alemanha Nazista, a Hitler, nos acusando de estarmos rifando terras entre amigos e promovendo o terrorismo dentro do assentamento. Isso é uma ação criminosa, não por parte da emissora, mas por parte do apresentador Ramos, que tem mostrado por várias vezes a irresponsabilidade e sua leviandade ao conduzir esse programa aos sábados e que usa a seu bel-prazer o espaço dessa emissora para se promover, enfim, para tratar de assuntos de interesses particulares. Vamos requerer cópia dos programas e ingressaremos com uma ação judicial contra o apresentador desse programa, o Sr. Ramos, pelos fatos criminosos e caluniosos que ele acusou contra as lideranças dos trabalhadores sem terras”, desabafou Edvaldo.

O blog procurou o Severino Ramos, diretor da Rádio Comunitária Araçá e apresentador do programa citado pelo vereador e líder camponês. Ramos enviou carta que reproduzimos a seguir:

Prezado Gilberto Barros e demais companheiro e companheiras da Rádio Zumbi dos Palmares grato pela a atenção.

Companheiros/as o que ocorreu (e ainda estar ocorrendo no Assentamento Zumbi dos Palmares no municipio de Mari-PB) é muito grave.

Nós que fazemos a Rádio Comunitária Araçá FM fomos procurados pela Sra. Marinalva da Silva, Mãe da Assentada Simone da Silva, no dia 6 do mês corrente. A mesma nos comunicou que os lideres do Assentamento iriam expulsar a ela e toda a sua familia no dia 8 de março (dia Internacional da Mulher. A familia dela é composta por 11 pessoas, sendo 5 crianças.Procurei saber os motivos e ela me disse que não sabia; perguntei se ela respondia a algum processo junto ao INCRA, ela disse que não, perguntei também se ela ou alguem da sua familia havia sido notifica pela policia ou pelo Ministério Público e ela me disse que não. Não havia nada contra ela.
Então eu sugeri que ela fosse pra posse do novo diretorio do Partido dos Trabalhadores que iria ocorrer no dia seguinte, no qual o Superintendente do INCRA - Frei Anastacio iria participar, e naquele momento ela falei com o Superintendente. Porém, ele não compareceu. Conversei com ela e me propus a procurar o INCRA para saber da sitauação dela; o que fiz logo na segunda feira. No INCRA não consta nada conta às pessoas daquela familia; liguei para o chefe de policia do municipio e perguntei se havia alguma denúncia contra a senhora Simone/Marinalva e ele me falou que não.

Voltando um pouco: de fato na manhã do dia 8 de março alguns se dirigiram a casa da familia em questão e tentaram expulsá-las, mas o pessoal ligou pra mim, e eu liguei para a policia militar, que chegando no assentamento conseguiu evitar a expulsão.
Porém, na quinta feira pela manhã recebi mais um telefonema da senhora Marinalva me pedido socorro, pois havia ocorrido uma reunião na sede do assentamento e várias pesso as se deslocavam para a sua residência para jogar seus "troços fora". Liguei mais uma vez para a policia, e quando a polícia chegou no assentamento a situação era muito grave, pois havia cerca de 100 pessoas tentando adentrar à casa, enquanto um outro grupo se opunha. Como o conflito era eminente e só havia 4 policiais foi convocado o comando de policia da cidade de Sapé. E o que se seguiu a partir dai foram momento de muita tensão. (durante todos os acontecimentos, a equipe da rádio comunitária se fez presente). Só pra se ter uma ideia: uma das mulheres da casa desmaiou e foi conduzida para o hospital pela viatura da policia; as criança dentro de casa não podiam sair, não havia comida nem para as crianças, pois não havia condição para o preparo.

Com presença de um efetivo maior da força policial foi estabilizada a situação, e a pedido do chefe policia os representes do INCRA foram acionados e chegaram no inicio da tarde. Como não havia nenhum processo no INCRA contra a familia, os funcionaram do órgão disseram que não poderiam fazer nada naquele momento, pois tinham que abrir uma notificação e o processo poereia se arrastar por vários anos, até que ficasse provado que estava errado. Porém, com a ameaça dos lideres do assentamentos, os funcionários do INCRA disseram que não havia como garantir a integridade da familia, pois ele iria embora até o final da tarde.

Segundo o Chefe de policia o que houve no assentamento foi um dos maiores constrangimentos que ele já presenciara em todo a sua vida, particularmente, porque havia cinco crianças. Inclusive o chefe de policia está disposto a testemunhar em juízo.

Isto é apenas um pequeno relato do que ocorreu.....mas o motivo que levou alguns lideres do assentamento a dizer que iria nos processar foi porque tomamos a defesa daquela familia e denunciamos fortemente as arbitrariedades que foram cometidas, sem nenhuma justificativa dada por parte dos lideres do assentamento.
Tudo pode ser provado facilmente se os companheiros da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares desejarem conhecer mais profundamente os fatos aqui relatados. Isto pode ser feito das várias formas: ouvindo os programas (gravados) da emissora que trataram da questão; ir 'in loco" e conversar com as partes, com o chefe de policia do municipio e com o comandante da policia da cidade de Sapé.

Foi "ofertada" a familia o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e mais o pagamento de 2 meses de aluguel. Um absurdo! Pois, a familia mora no assentamento desde a ocupação, debaixo das lonas quentes, à cerca de 8 anos. Hoje a familia tem a posse de um lote com uma área de terra de 7 hectares, uma casa construída pelo INCRA (e ampliada com recursos proprios, um poço amazonas e uma cisterna, além de inúmeras fruteiras/ bem feiturias.

As perguntas que eu fiz (e continuo fazendo) e a sociedade mariense também faz são simples: quais os crimes que os membros daquela familia cometeram? Como é que aquelas pessoas podem ser "denunciadas, julgadas, condenadas e aplicada a pena sem o legítimo, constitucional e sagrado direito de defesa. A época da INQUISIÇÃO acabou e já faz um bom tempo!

Convidamos, via rádio, várias vezes as lideranças do assentamento para que explicassem os motivos da expulsão daquela familia, mas isto não foi feito. Coloquei o programa Araçá em Debate (do dia 20/03/2010), que vai ar aos sábados das 09:30 às 12:30 a disposição dos membros do assentamentos, mas no horário proposto eles não compareceram. Porém, depois que "bati com força nos fatos ocorridos", chegaram dois representantes do assentamento tentando me amedrontar, me acusando de vários absurdos e dizendo que iriam me processar. A tática usada foi a do ATAQUE e não a da DEFESA! Em nenhum momento foi explicitado os motivos da expulsão da familia. Apenas ataques ao apresentador do programa ( a minha pessoa) e a emissora.

Nós não vamos no acomodar! Vamos procurar o Ministério Público, o INCRA, o Conselho Estadual dos Direitos Humanos, a Assembléia Legislativa e outros órgãos que possam ingressar nesta luta. Se ao final ficar provado que a famila da senhora Simone Silva cometeu crimes passivos de punição, que a PENA seja aplicada pela JUSTIÇA e não por pseudos justiceiros!

Quanto a questão de processar a Rádio Comunitária Araçá FM ou o apresentador do programa jornalístico, não tem nenhum problema; isso é consequencia da nossa missão! E além do mais: já moveram contra a emissora e a minha pessoa um total de 19 processos, mas graças Deus e ao advogado Noaldo Belo, não perdemos nenhum!
Companheiros e companheiras, nos colocamos a inteira disposição de todos e de todas que fazem a Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares.

Saudações Comunitárias,

Severino Ramo do Nascimento
Diretor presidente