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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Projeto possibilita a formação de profissionais para atuar em rádios comunitárias


Criado pelos experientes Jean-Jacques Fontaine e Yves Magat, jornalistas ligados à Télévision Suisse Romande (TSR), o projeto Jequitibá teve início no ano passado e espera formar 240 animadores de rádios comunitárias até 2011.

A idéia nasceu quando Fontaine, que vive no Brasil desde sua aposentadoria em 2007, decidiu realizar em parceira com a ONG Viva Rio um trabalho de apoio e capacitação jornalística para rádios comunitárias: "Em 2008, a gente começou de forma experimental. Montamos um primeiro curso com quinze alunos. Ao mesmo tempo, havia um colega e amigo na TSR que fez um trabalho de formação para rádios no Benin e em Honduras. Trocamos experiências mútuas e eu adaptei o método que ele utilizou nesses países para a realidade brasileira, traduzi os exercícios e montei com ele um projeto", explica o jornalista.

O colega a que se refere Fonatine é Magat, que vive na Suíça e vem sempre ao Brasil durante a realização dos cursos: "Eu fiquei impressionado com aquilo que Jean-Jacques me fez descobrir: no Brasil as rádios comunitárias são o verdadeiro sangue novo da população, próximas da realidade das pessoas e muito populares. Os animadores são em geral extremamente motivados, apesar de, em muitos casos, viverem em condições materiais muito duras", diz.

Do sucesso da primeira experiência no Rio de Janeiro surgiu a oportunidade de montar um projeto de alcance nacional: "Tivemos a idéia de capacitar 240 pessoas nas cinco principais regiões do Brasil em três anos. O curso terá duração de uma semana, com cinco dias intensivos mais um dia de repetição seis meses depois. A idéia era fazer as regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste", explica Fontaine.

O objetivo dos jornalistas suíços é oferecer aos brasileiros "um curso muito prático, com técnicas de entrevista, sem fazer muita teoria e onde você faz o exercício e o critica em seguida", como define Fontaine. "Não se trata, é claro, de querer impor uma 'visão suíça' do jornalismo, mas sim de levar algumas técnicas de base que cada participante do curso poderá interpretar à sua maneira e dentro de seu contexto social e cultural", acrescenta Magat.