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sábado, 30 de maio de 2015

Radialista comunitário é morto na Bahia e recebe ameaça um dia antes do assassinato


O radialista Djalma Santos da Conceição, encontrado morto no último sábado (23/5), no povoado de Timbó, zona rural do município baiano de Conceição da Feira (BA), recebeu um dia antes de sua morte um telefonema na rádio comunitária RCA FM com ameaças de morte

Djalma comandava o programa "Acorda, Cidade!" e recebia constantes ameaças. O trabalho dele era voltado principalmente para crimes e política. Recentemente, o jornalista decidiu apurar o assassinato de uma adolescente por traficantes da região. "Ele foi ao local do crime sozinho, já que a polícia temia iniciar uma guerra com os criminosos", relatou à Época Roseane Silva, colega dele na rádio. O radialista chegou a pedir permissão aos traficantes e ajudou a recuperar o corpo para enterrar.

Djalma também era proprietário de uma empresa de dedetização e um bar na cidade vizinha de Governador Mangabeira, onde morava com a família. Foi no bar que o jornalista foi sequestrado por volta das 23h30 da última sexta-feira (23/5). 

Três homens encapuzados saíram de um carro branco, ainda não identificado pela polícia, e obrigaram Djalma a entrar no porta-malas. O jornalista costumava usar colete à prova de balas, mas foi encontrado desprotegido, com marcas de pelo menos 15 tiros.

Os policiais encontraram no local 25 cápsulas de pistolas 0.40, 0.45 e 0.380. Djalma estava com a língua cortada e o olho direito arrancado. Um investigador da cidade, que pediu para não ser identificado, afirmou que, por ser na beira de duas estradas importantes (a BR-101 e a BA-052), o comércio da região é alvo de assaltos frequentes.

O presidente do Sindicato de Radialistas da Bahia, Everaldo Monteiro, declarou que "infelizmente, até o momento, não fui procurado por ninguém do governo nem do Conselho Estadual de Comunicação para tratar do assunto". 


O governador da Bahia, Rui Costa (PT), informou, por meio de seu assessor de imprensa, Ipojucã Cabral, que "todos os crimes têm o mesmo tipo de empenho do governo nas investigações, independentemente se for médico, engenheiro ou jornalista".

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