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segunda-feira, 30 de março de 2015

Polícia invade acidentalmente rádio comunitária e aterroriza trabalhadores do local

Policiais do COE e da Rocam entraram no estúdio da rádio, localizado no Mutirão, Zona Leste de Manaus, e mantiveram pessoas sob a mira de armas

    A rádio opera, majoritariamente, nas zonas Norte e Leste de Manaus
    A rádio opera, majoritariamente, nas zonas Norte e Leste de Manaus (Arquivo AC)
    Na tarde desta quinta-feira (26), os trabalhadores da rádio comunitária Voz das Comunidades (87,9 FM ) ouviram uma batida na porta e o que se seguiu foram momentos de terror que, nas palavras de uma testemunha, pareciam "coisa de filme".
    Por volta das 15h40, policiais do Comando de Operações Especiais (COE) e da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) entraram no estúdio da rádio, localizado no Mutirão, Zona Leste de Manaus, e mantiveram pessoas sob a mira de armas, entre elas, uma senhora com um bebê de apenas 5 meses.
    "O COE e a Rocam chegaram fortemente armados e apontaram essas armas para todo mundo no estúdio onde estávamos gravando um programa. O apresentador ficou sob a mira das armas, bem como os convidados do programa. Uma senhora que estava no local com a filha bebê começou a se tremer todinha e foi se trancar no banheiro de tanto medo", disse Erleilson Brito, jornalista que trabalha na Voz das Comunidades e estava do lado de fora do estúdio quando a polícia chegou.
    Marlúcia Santiago, produtora da rádio que estava dentro do estúdio na hora, foi uma das pessoas que estiveram sob a mira da polícia. "Quando eles se deram conta que era uma rádio, eles começaram a amainar. Disseram que tinham entrado na rádio por conta de uma denúncia de que havia um cárcere privado aqui. Foi engano, mas aí eles já tinham entrado e assustado todo mundo", contou Marlúcia.
    Seu marido, Lerron Santiago, apresentador da rádio que estava em casa quando tudo aconteceu e soube da situação pela mulher a achou inadmissível. "Foi uma atitude totalmente desnecessária, com toda essa truculência. Já recebi várias ligações da Polícia, dizendo que devemos ir à Corregedoria-Geral reportar a história, mas as pessoas da rádio não têm como fazer isso. Estão todos muito chocados ainda", explicou Lerron.
    A Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Estado do Amazonas informou que irá abrir procedimento para apurar o ocorrido e que os policiais envolvidos serão chamados para prestar esclarecimentos.
    "A ordem para que fosse aberto o procedimento investigativo já foi dada e, em cima do que for apurado, nós poderemos decidir o que será feito em cima do que a legislação pertinente determina", concluiu o coronel da PM Willer Abdala.