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sábado, 5 de julho de 2014

O QUE É COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA?



Comunicação comunitária, alternativa, popular, radical, para mudança social, contra-comunicação, participativa, dialógica, horizontal são expressões muitas vezes usadas para descrever uma mesma experiência ou processos comunicacionais bem distintos. Qualificar a comunicação como comunitária é sempre um desafio, dada a complexidade e multiplicidade do conceito de comunidade e de comunicação. Inclusive, muitas vezes, no âmbito da comunicação, as noções de alternativo e popular se confundem com o conceito de comunidade – de fato e intencionalmente.
É muito comum ao se descrever práticas de comunicação comunitária questionar se trata-se ou não de uma experiência realmente verdadeira, partindo de uma visão idealista – ou por vezes purista – da noção de comunidade.
A comunicação alternativa é caracterizada por apresentar uma opção de fonte de informação, tanto pelo conteúdo que oferece quanto pelo tipo de abordagem que utiliza. No Brasil, denominou as experiências de contra-informação na época da ditadura militar, mas está presente na comunicação dos movimentos populares. 
Já a comunicação comunitária é aquela que
[...] se caracteriza por processos de comunicação baseados em princípios públicos, tais como não ter fins lucrativos, propiciar a participação ativa da população, ter propriedade coletiva e difundir conteúdos com a finalidade de desenvolver a educação, a cultura e ampliar a cidadania. Engloba os meios tecnológicos e outras modalidades de canais de expressão sob controle dos movimentos e organizações sociais sem fins lucrativos. Em última instância, realiza-se o direito à comunicação na perspectiva do acesso aos canais para se comunicar. Trata-se não apenas do direito do cidadão à informação, enquanto receptor – tão presente quando se fala em grande mídia –, mas do direito ao acesso aos meios de comunicação na condição de emissor e difusor de conteúdos. E a participação ativa do cidadão, como protagonista da gestão e da emissão de conteúdos, propicia a constituição de processos educomunicativos, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento do exercício da cidadania (PERUZZO, 2006, p.9-10).

(Trecho de artigo publicado no site do Observatório de Comunicação Comunitária)