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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Rádios Comunitárias italianas e Timor-Leste são avaliadas por jornalista português




Na Austrália, o programa “Voz Portuguesa” da rádio comunitária Vox Fm em Wollongong é emitido desde 1990 para a comunidade de língua portuguesa daquele município, no estado de Nova Gales do Sul. A comunidade de imigrantes portugueses desta região é uma das maiores e mais antigas na Austrália no contexto da imigração portuguesa. Atualmente, os censos australianos indicam que vivem 15.328 portugueses na Austrália (nascidos em Portugal) e 46.519 dizem-se luso-descendentes.

No Dia Mundial da Rádio, instituído pela UNESCO a 13 de fevereiro, a Global Voices conversou com o jornalista português Manuel Ribeiro (@manuelribeiro), uma das vozes do programa, que falou sobre o papel da rádio comunitária nesta região da Austrália e também da sua experiência profissional de radiojornalismo em Timor-Leste.

De acordo com Manuel Ribeiro, o programa “Voz Portuguesa” começou em 1990 por iniciativa de um grupo de portugueses da comunidade local que pretendiam divulgar informação sobre os eventos organizados pelo Kemblawarra Portuguese Sports & Social Club e pela Associação Portuguesa da Costa Sul. Os primeiros imigrantes teriam chegado a esta parte da Austrália nos anos 50 para trabalhar na indústria metalúrgica. Atualmente, a comunidade de Portugueses e luso-descentes nesta área é de quase 5000 pessoas.

O programa insere-se na rádio Vox FM, uma rádio comunitária de Wollongong cuja programação se divide pelos vários grupos representativos da comunidade, que é cultural e linguisticamente bastante diversa. É uma comunidade multi-cultural vibrante que inclui imigrantes, de vagas posteriores à colonização anglo-saxônica, provenientes, para além de Portugal, de outros países da Europa e, mais recentemente, de países do Médio-Oriente, América Latina e da Ásia.

A “Voz Portuguesa” é um programa semanal de 2 horas que apresenta música em língua portuguesa, notícias locais e de Portugal, um talkshow sobre assuntos de interesse da comunidade, que por vezes inclui entrevistas em estúdio, e informação de agenda sobre eventos locais. “Temos conhecimento que a maior parte dos nossos ouvintes é composta por idosos que querem manter o contacto com a língua portuguesa e ouvir as notícias de Portugal e da comunidade. Alguns não dominam a língua inglesa e, por isso, este é um dos poucos media que falam a sua língua materna. Muitos deles telefonam a pedir músicas que recordam os seus tempos de juventude: música popular, folclore, fados”, relata Manuel Ribeiro.

Em 2013, a Vox FM iniciou a transmissão via Internet, o que vem expandiu muito a audiência potencial. “O objectivo é alargar a audiência a um público mais jovem, da segunda e terceira geração de luso-descendentes. A maioria não fala Português e, por isso, gostaríamos de dar-lhes a conhecer o que se faz em Portugal actualmente, a música e cultura mais contemporâneas. Por outro lado, a presença na Internet permite alcançar um público mais global, que comunica em língua portuguesa, em particular as comunidades timorense e brasileira que vivem noutros pontos da Austrália”, diz o jornalista.

Para Manuel Ribeiro, as  rádios comunitárias australianas são bastante populares entre o público australiano porque são consideradas um meio de comunicação alternativo às rádios comerciais. Isso atrai as pessoas, que procuram música e informação de acordo com os seus interesses e backgroundsculturais. Por outro lado, o Estado australiano apoia financeiramente essas iniciativas. Os grupos de filantropia são também muito activos na dinamização de rádios comunitárias. “Para além do nosso programa de rádio, existem na Austrália três outras emissões de rádio ao serviço da comunidade de origem portuguesa no país. A “Rádio Lusitânia” em Adelaide é, tal como a “Voz Portuguesa”, um programa de rádio comunitária ao serviço das comunidades multi-culturais da Austrália, onde a comunidade portuguesa se inclui. A “Portuguese Radio” em Sidney e o programa nacional “SBS Radio Portuguese” são outras estações de rádio direccionadas para as comunidades de língua portuguesa. Por outro lado, a comunidade timorense em Liverpool (Sidney), com bastantes falantes em língua portuguesa, tem um programa de rádio que emite em língua tétum e língua portuguesa”, afirma.

Em 2012, Manuel Ribeiro teve a oportunidade de ser correspondente da Deutsche Welle (DW) – Português para África, em Timor-Leste. Foi durante um período crucial para o país, já que nesse ano se realizaram eleições presidenciais e legislativas. “Durante a minha estadia pude perceber que existem diversas rádios comunitárias e algumas comerciais, e que existe uma boa cobertura de rádio no país. As pessoas ouvem muita rádio, mais do que vêem televisão ou lêem jornais que ainda não estão acessíveis em todos os distritos. Por esse motivo, a rádio é o meio de comunicação mais importante no país, muitas vezes utilizado pelo estado e instituições não-governamentais para fazer chegar informação de interesse a todos cidadãos”, lembra ele.

A percepção de Manuel  foi de que estão em curso muitos projetos de desenvolvimento de rádios comunitárias, mas que ainda existe muito trabalho a fazer na área de formação em rádio e melhores condições de funcionamento. ”Um caso específico que observei de perto foi a rádio local de Oecussi [um enclave na zona ocidental da ilha de Timor], apoiada por uma organização de jornalistas australianos, em termos de equipamento e formação. As falhas prolongadas de eletricidade impediam, no entanto, o seu funcionamento regular. Valiam-lhes os vizinhos, as Irmãs da congregação Dominicana, que, esporadicamente, lhes forneciam energia através de um cabo improvisado”, conta Ribeiro.



Com informações da Global Voices