quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Movimentos esperam que iniciativas do governo para democratização da comunicação sejam fortalecidas
Cristina Fontenele

Após a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), o governo federal sinaliza que vai defender mais veementemente uma proposta para regulação da mídia, em especial os veículos de radiodifusão (rádio e TV), e já começar a atrair críticas da oposição e dos meios de comunicação oligárquicos, que afirmam ser a medida uma censura à liberdade de expressão. Para o governo, a regulação do sistema democrático da mídia, ao lado da reforma política, é uma das prioridades do novo mandato.
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Após a reeleição, presidenta Dilma defende regulação econômica da mídia.

De acordo com a presidenta Dilma, "no Brasil, tenta-se confundir essa regulação econômica com o controle de conteúdo, e uma coisa não tem nada a ver com a outra; controle de conteúdo é típico de ditaduras; a regulação do ponto de vista econômico apenas impede que as relações de oligopólio se instalem”. Atualmente, no Brasil, as concessões de rádio e TV concentram-se nas mãos de apenas cinco grandes grupos controlados por famílias (Globo, SBT, Record, Band e Rede TV), quando o artigo 220 da Constituição Federal veda qualquer tipo de monopólio ou oligopólio no rádio e na TV.
Em entrevista à Adital, o secretário executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Pedro Vilela, explica o que dispõe o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP), que visa a instituir a Lei da Mídia Democrática no Brasil. Segundo Pedro, é preciso combater a propriedade privada dos meios de comunicação, pois "essa concentração econômica impede a pluralidade de vozes, assim como a falta de conteúdo viola a diversidade.” Quando se fala em democratizar os meios de comunicação, setores mais conservadores, como os empresários da comunicação, taxam como censura, o que é falso. É preciso ampliar o direito à comunicação, preservando a liberdade de expressão, ressalta Pedro.
FNDC
Reação popular aos estereótipos apresentados nas programações.


Argentina
Batalha semelhante vem sendo enfrentada já alguns anos pelo governo de Cristina Fernández Kirchner, na Argentina, com o grupo de comunicação Clarín. Na Argentina, a nova Lei de Mídia completou cinco anos agora em outubro. Um dos objetivos da Lei é combater os monopólios dos meios de comunicação, facilitando o acesso de novos grupos a canais de rádio e/ou TV, principalmente no interior do país. Como resultado, já foram outorgadas 1.200 novas autorizações e licenças para funcionamento de rádios (AM ou FM) e TVs (abertas ou fechadas) na Argentina.
Reprodução
Presidente Cristina Kirchner e as disputas com o grupo Clarín.

"A sociedade precisa entender que a comunicação, assim como a saúde e a educação, é direito garantido, é um direito à diversidade e à pluralidade. Sendo direito, não pode ser objeto de concentração. São necessárias políticas públicas para superar esse modelo.”, reforça Viela, destacando que entregou o PLIP a todos os presidenciáveis, durante as últimas eleições.

Irregularidades
Atualmente, sem a devida fiscalização, observam-se irregularidades variadas na atuação dos meios de comunicação, como mais de 25% do tempo de programação (rádios e TVs) destinadas a publicidade (quando a lei prevê o limite de 20%), outorgas vencidas há mais de 20 anos sem pedido de renovação e sublocação de horários (a exemplo dos canais que veiculam cultos religiosos ou vendas de produtos 24 horas).
O artigo 54 da Constituição proíbe, por exemplo, o controle de concessionárias por políticos, mas, segundo o estudo Donos da Mídia (2010), mais de 270 políticos eram sócios ou diretores de emissoras de radiodifusão. Muitos canais também veiculam conteúdo comercial e se declaram educativos, como uma forma de burlar a legislação e não passar por licitação. Outra ocorrência comum é a sublocação da grade de programação, quando o previsto na lei vigente é apenas o lucro através da publicidade.

FNDC
Apenas cinco grupos controlam a comunicação no Brasil.

Mudanças necessárias
As principais mudanças, segundo Vilela, do FNDC, seriam: a regulamentação dos artigos 5, 21, 221, 222 e 223 da Constituição Federal. "É preciso, por exemplo, estimular cotas para programas educacionais e regionais, já que, hoje, as produções estão muito concentradas no eixo Rio-São Paulo.”, destaca.
Conforme proposto no PLIP, as concessões, que são autorizadas pelo Estado, teriam validade de 15 anos para TV e 10 anos para rádio, sendo renovadas em processo público, desde que as emissoras respeitem as regras.
Também é apresentada uma divisão dos sistemas de comunicação em três tipos: público (emissoras de caráter público ou associativo-comunitário); privado (emissoras de entidades privadas) e estatal (emissoras vinculadas ao Estado, que não atendam a requisitos definidos para o sistema público, e responsáveis por transmitir atividades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário).

Conheça o Projeto de Lei de Iniciativa Popular e a Campanha Lei da Mídia Democrática, propostos pelo FNDC e apoiados por dezenas entidades da sociedade civil. Qualquer pessoa pode participar diretamente e baixar os materiais da campanha.

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Mobilizações marcam Semana Nacional de Luta pela Democratização da Mídia

NA BAHIA

Queimadas: Fiscais da Anatel fecham rádio comunitária pela segunda vez

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Segundo populares, um chaveiro foi acionado e abriu a porta do imóvel onde funcionava a emissora | Foto: Facebook/Divulgação
A Rádio Comunitária Queimadas FM (87,9), que funcionava há mais de 13 anos sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), foi fechada no dia 20 de agosto deste ano. 
A emissora estava instalada na ‘Rua do Contorno’, às margens da BA-120, em Queimadas. Segundo informações de populares, os fiscais tiveram que acionar um chaveiro para abrir a porta do imóvel onde funcionava a emissora. Nenhum funcionário foi encontrado no local. Com o apoio de agentes da Polícia Federal, os fiscais levaram um transmissor e mais alguns equipamentos da rádio, que já tinha sido fechada pela Anatel em agosto de 2011, mas voltou a operar.
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Polícia Federal deu apoio à operação | Foto: Facebook/Divulgação
O Notícias de Santaluz entrou em contato com a Anatel para obter mais detalhes da operação e foi informado que a ação também está sendo realizada em outros municípios baianos. Já a Polícia Federal, informou que os agentes estiveram no município apenas para garantir a segurança da ação, atendendo a uma solicitação da Anatel.
Redação Notícias de Santaluz

TCE aplica multa de R$ 4 mil por repasses irregulares para rádio comunitária de SP

O prefeito de Novo Horizonte, Toshio Toyota (PPS), teve repasse realizado na sua gestão anterior julgado como irregular pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE). O prefeito ainda poderá recorrer da sentença que lhe determinou pagamento de multa de 200 Unidades Fiscais de Referência do Estado de São Paulo (UFSPs), equivalente a R$ 4.028.
O repasse de R$ 44 mil realizado a título de subvenção social à Fundação Rádio e TV Esperança de Novo Horizonte foi entendido pelo Tribunal de Contas como sendo uma forma de evitar a realização de licitação. Isso porque, sendo a entidade beneficiada, uma rádio comunitária, não poderia receber dinheiro a título comercial.
“A Fiscalização, conforme relatório de fls. 23/24, concluiu pela irregularidade (art. 30, inciso III, da LC 709/93) por entender que a Fundação é uma emissora comunitária, não podendo prestar serviços comerciais, sendo que o objeto do convênio (cuja natureza é de subvenção social) é “ações de divulgação e interação na comunidade novorizontina e região de eventos e assuntos relacionados às áreas de cultura, educação e assistência social”, ou seja, serviços de comunicação de interesse institucional da Prefeitura; assim, para contornar a vedação de uma emissora comunitária ter serviço comercial, o apoio se deu por convênio”, relata na sentença o auditor Samy Wurman.
Ao apresentar defesa, as partes não conseguiram convencer o auditor de que as providências adotadas seriam capazes de sanar as irregularidades apontadas. “(…) eficazes para prevenir novos desacertos, mas que não elidem a falha de a  Prefeitura ter se valido de subvenção social para retribuir  financeiramente um serviço que deveria ter sido precedido de certame licitatório”.
Além da imposição de multa, Wurman determinou o envio dos documentos à Câmara de Vereadores de Novo Horizonte e também ao Ministério Público.
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Novo Horizonte relatou que não foi notificada pelo Tribunal de Contas do Estado com relação ao assunto em questão.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Alo Comunidade 168 Beto Brega

Nesta edição Fábio Mozart entrevista um dos maiores discófilos e vendedor de CDs similares da capital paraibana, Beto Brega. O programa tem ainda a participação do acadêmico de Rádio & TV, Rodrigo Santos. Produção e locução de Fábio Mozart. Técnica de som e sonoplastia de Maurício José Mesquita.



 

Rádio comunitária é arrombada e incendiada durante a madrugada na Paraíba

Uma rádio comunitária da cidade de Soledade, foi incendiada durante a madrugada desta segunda-feira (3). De acordo o diretor Júlio Cesar, diretor da Soledade FM, houve perda total do estúdio. Há um ano a emissora teve seus equipamentos queimados.
O diretor disse que os acusados de provocar o incêndio tiveram acesso ao estúdio entrando por trás da emissora. Testemunhas informaram que os acusados do crime chegaram em um carro.

“Por volta de 1h fui acordado e informado sobre o incêndio. Quando cheguei na rádio, o fogo consumia todo o estúdio. Fiz uma vistoria no prédio e constatei que os acusados pularam o muro por trás da rádio, forçaram uma grade e entraram no estúdio. Parte do muro por onde os acusados pularam desabou”.

O prejuízo, conforme Júlio César, gira algo em torno de R$ 20 mil, com a destruição dos equipamentos. Ele atribui o incêndio a divergências políticas.

“Foi um prejuízo enorme. Acredito que passe dos R$ 20 mil. Queimaram todos equipamentos do estúdio como mesa de áudio, computadores, móveis, câmera de e etc. A rádio já sofreu um atentado há um ano e outro agora com o retorno do prefeito ao cargo, depois de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O incêndio foi criminoso porque na semana passada a emissora foi retirada do ar por causa de um transmissor pirata. A gente ia entrevistar o novo prefeito. Um ato de terrorismo contra a liberdade de expressão”. Uma de perícia da Polícia Civil foi acionada para fazer o levantamento do incêndio.

Quem será o novo ministro das comunicações?

Está cada vez mais certa a saída do ministro petista Paulo Bernardo do Ministério das Comunicações. Mas quem deverá substitui-lo no segundo mandato de Dilma Rousseff a partir de janeiro de 2015?

Quatro nomes parecem despontar como possíveis candidatos a assumir a tarefa: Franklin Martins; Ricardo Berzoini; Moreira Franco; e Alessandro Molon.
Franklin Martins tem sido até agora o nome mais cotado para assumir essa posição estratégica no futuro governo de Dilma. Odiado entre os donos das grandes empresas de comunicação e amado pelos que defendem a democratização da mídia, Franklin saiu da eleição como um dos grandes responsáveis na coordenação da campanha pela vitória de Dilma nas redes sociais. Franklin foi Secretário de Comunicação Social do governo de Lula entre 2007 e 2010 e deixou pronto um projeto de regulação econômica da mídia que posteriormente foi engavetado por Paulo Bernardo. Como Dilma vem dizendo repetidamente que fará a regulação econômica, Franklin seria o nome certo no lugar certo.

Também vem sendo cotado para a pasta o ministro das relações institucionais Ricardo Berzoini. Berzoini teria o aval do PT de São Paulo e seria o nome da direção nacional do partido para a pasta segundo alguns boatos. De concreto sabe-se que o ministro tentou se aproximar recentemente da blogosfera ao conceder uma entrevista coletiva para blogueiros em maio deste ano onde defendeu a democratização da mídia. O que o fortalece é ser um nome que possui trânsito no Congresso Nacional, uma necessidade tática do próximo governo de Dilma.
Um nome que surgiu com certa estranheza nas apostas é o do peemedebista Moreira Franco. Da cota do vice-presidente Michel Temer, o ministro Moreira Franco que atualmente ocupa a Secretaria de Aviação Civil poderia ser remanejado para as comunicações. Vale lembrar que o ministério já foi ocupado pelo PMDB no governo Lula com o mineiro Hélio Costa entre 2005 e 2010. A possível entrada de Moreira Franco seria um banho de água fria para aqueles que defendem a democratização da mídia. Afinal de contas, foi o PMDB quem pediu a retirada da proposta de regulação dos meios de comunicação do programa de governo de Dilma.

Correndo por fora está o deputado carioca Alessandro Molon. O excelente trabalho de Molon como relator do Marco Civil da Internet o aproximou bastante da presidenta Dilma Rousseff. Ademais, Molon foi o deputado federal mais votado na chapa do PT no Rio de Janeiro o que o credencia como representante do estado no ministério, além de abrir espaço estratégico para o suplente Wadih Damous assumir uma vaga na Câmara.
Por enquanto são apenas especulações. Seja quem for o nome, a tarefa de expandir a internet de banda larga para o interior do país, rever a distribuição das verbas oficiais de publicidade e apresentar a proposta de regulação econômica das empresas de comunicação estará em suas mãos.

Theófilo Rodrigues

sábado, 1 de novembro de 2014

Justiça proíbe rádios comunitárias de veicularem anúncios



Rádios comunitárias estão proibidas de veicular anúncios de bens e serviços, mesmo em forma de apoio cultural. A decisão é da 6ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. A desembargadora Denise Volpato manteve liminar que impedia uma rádio de Penha de veicular estas mensagens comerciais, mesmo sob a forma de apoio.

Esta e outras notícias do mundo da comunicação comunitária estão no programa “Alô comunidade”, produzido pela Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, Coletivo de Jornalistas Novos Rumos, Núcleo de Comunicação do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar e Sociedade Cultural Posse Nova República, transmitido pela Rádio Tabajara da Paraíba AM, 1.110 KHZ.

Também, iremos conversar sobre rádio paraibano a partir da perspectiva do ouvinte. Ao vivo no estúdio, o discófilo Beto Brito.

O programa é veiculado hoje, sábado, 01 de novembro, às 14 horas, e retransmitido por 12 rádios comunitárias e serviços de som, além da Rádio Web Comunitária Porto do Capim.