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sábado, 17 de outubro de 2009

Nova lei de comunicação na Argentina


No dia 9 de outubro, o Congresso da Argentina aprovou uma nova lei de comunicação para o país. A norma deve garantir democracia na comunicação com muitos avanços para a radiodifusão comunitária. Segue uma versão para o português do comunicado enviado pela AMARC ALC comemorando a aprovação da nova lei. Certamente é inspiração e bom exemplo em tempos de I Conferência Nacional de Comunicação.

A Amarc ALC comemora a aprovação da Lei de Meios Audiovisuaus na Argentina e destaca dispositivos que garantem a diversidade e o pluralismo dos serviços de comunicação audiovisual.

A aprovação foi por ampla maioria - 44 a 24 no Senado argentino, o que inclui a Argentina como uma das melhores referências em Matéria de marcos Regulatórios para limitar a concentração dos meios, promovendo e garantindo a diversidade e o pluralismo. A nova lei substitui a anterior, imposta pela ditadura militar em 1980.
A lei tem como finalidade regular os serviços de comunicação audiovisual (incluindo rádio e TV aberta), e se apresenta como uma normma comentada que incorpora legislação comprada e as recomendações do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
AMARC ALC destaca que as fundamentações e os objetivos principais da nova lei são a promoção da diversidade e do pluralismo assim como a desconcentração como recomendam os organismo internacionais de defesa e promoção da liberdade de expressão.

Um dos aspectos que se sobressaem é o estabelecimento de diversas e efetivas medidas para limitar e impedir a concentração indevida de meios. Entre elas, a instituição de um máximo de licenças que podem ter uma mesma pessoa ou empresa (a nível nacional e em uma mesma área de cobertura) e os limites de propriedade cruzada de meios, assim como recomendam as melhores práticas internacionais.
Com o objetivo de propor a produção de uma diversidade de conteúdos nacionais e locais, a nova legislação argentina recorre ao exemplo de muitos países europeus e também americanos incluindo exigências mínimas de produção nacional e local própria, assim como condições precisas para a formação de cadeias de emissoras, para limitar a centralização e a uniformização da programação em alguns poucos grupos empresariais da capital para o resto do país.

Outro aspecto a ser destacado é o reconhecimento expresso de três setores:
Estatal, comercial e sem fins lucrativos, garantindo a participação de entidades privadas sem fins de lucro com reserva de 33% do espectro radioelétrico. Não estabelece reservas para todos os outros setores, mas inclui procedimentos simplificados para outorgar licenças para os povos tradicionais que se incluem como direito público.

Dentro do setor sem fins de lucro a lei reconhece expressamente a rádio e a televisão comunitária adotando a definição proposta por AMARC e outras organizações nos ?Princípios para um Marco Regulatório Democrático sobre Rádio e Televisão Comunitária?, como "atores privados que têm uma finalidade social e se caracterizam por ser gestionados por organizações sociais de diverso tipo e sem fins de lucro. Sua característica fundamental é a participação da comunidade tanto na propriedade do veículo como na programação, administração, operação, financiamento e avaliação. Se trata de meios independentes e não governamentais. Em nenhum caso serão entendidos como um serviço de cobertura geográfica restrita".
AMARC ALC destaca que não se impõe limites prévios e arbitrários aos meios comunitários, e que a eles sejam permitido o acesso a uma diversidade de fontes de financiamento, incluindo a publicidade comercial e recursos estatais.
Como meios independentes que são, se apóia que se limite a um máximo de 30% o financiamento que estes meios de comunicação podem receber de fundos públicos pois evita sua captura e condicionamento por parte dos governos.


María Pía Matta.
Presidenta AMARC ALC.

Vamos retaliar as rádios comerciais!


Temos que desfocar esta questão da ilegalidade para longe das rádios comunitárias.
Porque foi construído um discurso que é o que vale, inclusive dentro da nossa militância, de que este negócio de ilegalidade nas comunicações é uma exclusividade das rádios comunitárias e isto é tão mentira quanto dizer que rádio comunitária derruba avião !

Há inúmeras rádios comerciais com potência muito acima do limite permitido.
Há inúmeras rádios comerciais fora da localidade para onde foram designadas suas concessões. Há inúmeras rádios educativas que foram desviadas de suas funções de origem, como por exemplo a Rádio Universitária Estácio de Sá na cidade do Rio de Janeiro,
cujo espaço no dial funciona atualmente a Rádio Manchete GOSPEL .

Há dezenas de deputados e políticos de um modo geral, inclusive ministros com concessões de Rádio e TV . Então este nosso movimento se encolheu tanto, de tanto levar porrada que está sempre na defensiva e isto é um erro .

Estamos vivendo uma situação de desigualdade jurídica: a polícia ( Federal, BOPE, Militar) , a justiça e a ANATEL só atuam contra as rádios comunitárias e são omissas, tolerantes e coniventes com as rádios e Tvs comerciais .

Aonde está o Ministério Público ?

abs

Claudio Salles/SP

Conselho Tutelar do Geisel nega informações à comunidade




O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, que funciona no Geisel, foi procurado pela repórter Gyl Daiana para obter informações sobre as ações do órgão na comunidade.

O Conselho Tutelar é uma importante conquista da sociedade para preservar os direitos da criança e do adolescente, mas a maior parte das pessoas desconhece seus objetivos. Como se viu, parece que o Conselho Tutelar do Giesel não está, porém, interessado em fazer chegar ao cidadão as informações sobre a política de atendimento a essa clientela.

A Rádio Zumbi ainda está por saber se negaram informações por falta de estrutura para levantar os dados, por receio de publicação da reportagem, por negativa de superiores hierárquicos ou desorganização pura e simples.

Por coincidência, o Congresso Nacional está debatendo projeto de lei que regulamenta o acesso dos cidadãos a informações em poder dos órgãos públicos. Apesar de ser um direito constitucional, tanto jornalistas quanto pessoas interessadas enfrentam diversas barreiras para obter informações que, em vez de serem abertas, ficam guardadas e vigidas nas gavetas da burocracia.

A Comunitária Zumbi dos Palmares já tentou buscar informações junto à Prefeitura de João Pessoa e gabinetes de alguns vereadores, sem nenhuma resposta. Em muitos casos, as assessorias ignoram, não dão retorno ou prometem uma resposta que nunca chega. Preconceito contra a mídia alternativa?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fabiana Veloso é da equipe da Rádio Zumbi dos Palmares


Fabiana Veloso é coordenadora de Gênero da ABRAÇO-PB e está na equipe da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, (bairro Ernesto Geisel – João Pessoa-PB), colaborando ainda como fotógrafa e repórter do jornal “Olhos Abertos”, de nossa emissora.

Fabiana participou do I Encontro Paraibano de Gênero e Diversidade na Escola, DO II Seminário Paraibano de Prevenção à Violência na Escola e do I Colóquio Paraibano de estudos de Gênero, que ocorreu no auditório da Estação Ciência, no Cabo Branco. “Em um dos GTs sugeri a implantação da capoeira como instrumento lúdico para trabalhar as crianças nas creches municipais (e estaduais) as questões de gênero e étnicas. Entre outras coisas, observamos que na infância o individuo se encontra na melhor fase para ser ‘implantado’ valores morais éticos”, diz a ativista. Fabiana observa que as creches públicas funcionam das 7h às 17h. “Portanto, as crianças passam lá um longo período e poderiam ter, pelo menos, uma vez na semana um contato com uma roda de capoeira. As crianças de poder aquisitivo maior, muitas vezes, têm atividades extra-escolares como natação, cursos de línguas, xadrez..Enquanto que as de poder financeiro menor não”, comenta. Ela diz que a atividade da capoeira trabalha o movimento, integração, cultura e auto-estima da criança. “Sem mencionar que a falta de conhecimento sobre as questões afro gera preconceitos e distorções. A capoeira é uma forma barata e espontânea de trabalhar tudo isso”, diz Veloso, que pretende propor um projeto de lei ao vereador Jorge Camilo sobre o tema na Câmara Municipal de João Pessoa.

DO BLOG DA ABRAÇO-PB
www.abraco.wordpress.com

Governo deu um bilhão para as rádios comerciais

O Governo Federal gastou 1 bilhão com os veículos privados no último período, e agora o Presidente Lula encaminhou para o Congresso uma Lei (dentro da reforma eleitoral) onde o governo repassará dinheiro para as emissoras transmitirem o horário eleitoral. Ou seja, o que antes era gratuito, agora passa a ser pago com o nosso dinheiro para manter essa corja de radiodifusores.

Por que para o monopólio um bilhão e para as rádios comunitárias nada?
E ainda mandam CDs institucionais para a gente rodar de graça nas rádios comunitárias, com uma linguagem que não tem nada a ver com a nossa realidade.

Também somos produtores de conteúdo (e com qualidade, por isso ganhamos o prêmio de Mídia Livre, que foi julgado como um dos melhores jornais populares para as rádios comunitárias), e até o momento não vimos nenhuma proposta para inserção de notícias com a nossa linguagem, com a nossa cara.

Jerry – São Paulo/SP

COMENTÁRIO: Nas rádios comunitárias do interior, as prefeituras até fazem convênios conosco, mas só se a rádio se atrelar totalmente aos projetos politiqueiros dos donos do poder. (Roberto Rodrigues – Rádio Zumbi – João Pessoa-PB)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

OLORUM EKÊ*


O americano Jack Johnson foi campeão mundial dos pesos pesados, o primeiro negro a ganhar o título em 1908, ao derrotar seu compatriota branco Tommy Burns. Por isso, a elite branca detonou uma onda de violência racista, com manifestações, perseguições e linchamentos. Agora, o Senado americano vai votar um pedido de perdão póstumo ao ex-lutador.

À parte a demagogia dos republicanos, uma frase de Jack Johnson resume bem sua vida: “Eu sou Jack Johnson, campeão mundial dos pesos pesados. Sou negro, eles nunca me deixam esquecer isso. Eu sei que sou negro! Eu nunca os deixarei esquecerem-se disso!” Essa vida de luta pela afirmação da raça lembra o meu compadre Dalmo Oliveira, jornalista guerreiro do povo negro paraibano.

Dalmo mora no Geisel, é militante da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, tem graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal das Paraíba, e mestrado em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco. Foi eleito recentemente Coordenador Secretário da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – ABRAÇO-PB. Na Rádio Comunitária Zumbi FM, apresenta o programa Música e Cidadania, onde coloca o ouvinte em sintonia com os nossos melhores poetas e compositores, na intenção de esclarecer as mensagens das canções que têm a ver com direitos humanos e as variadas formas de protesto e contestação através da música, mostrando como a arte pode contribuir para modificar o dia-a-dia dos cidadãos.

Os afro-descendentes têm uma relação muito forte com o movimento de rádios comunitárias, já que as radcom servem para dar voz aos excluídos da sociedade. O movimento negro é pautado na nossa Rádio Zumbi, a partir do próprio nome da emissora. Mais de 60 rádios populares no Brasil já foram instaladas em áreas quilombolas. Só em rádios comunitárias rolam programas especiais para afro-descendentes. A Zumbi apresenta, todos os sábados, às 14 horas, a série Vozes Negras no Brasil, produzida pela Rádio Nederland Wereldomroep, da Holanda. Já foram apresentados os programas sobre os temas “pobreza, cor e mudanças”, e “cotas e educação exemplar”.

• Olorum Ekê: “povo do Santo forte”, termo Ioruba.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

SE LIGA MEU IRMÃO!


SE LIGA MEU IRMÃO

Tema da peça “Pintou sujeira no Cuiá”, de Fábio Mozart:

Qualquer dia essa galera
Que anda nos descaminhos
Nesses becos e vielas
Procurando seu destino
Na mão do xerife mal
Vai encontrar sua voz
Para dar o seu recado
E ser visto e respeitado
Como uma coisa normal.
Então detonou geral
A transmissão da galera
Passando o comunicado
Que nossa gente queria
Um país em harmonia
Com seu povo alimentado
É um sonho acalentado
Pelos becos e vielas
Nos mocambos das favelas
No “apertado da hora”
Vamos gente, sem demora!
Exigir nossa presença
Comunicando à imprensa
Que a galera tem voz
Eu falando e, cá pra nós,
O povo entendendo tudo
Mesmo de forma precária
Na rádio comunitária
Transmite cidadania
Martelando noite e dia
O recado curto e grosso
E acredite seu moço
Que vai chegar esse dia.